domingo, 19 de abril de 2015


O QUE OS PROFESSORES DEVEM ESPERAR DA JUSTIÇA?
                                                                      Luciano Silva Menezes[1]
            Observando a decisão atual do TJPE, que coercitivamente agiu desfavorável aos professores, apontando a greve como ilegal; uma atitude já esperada por qualquer indivíduo que tenha o mínimo de conhecimento histórico. Nesse combate imoral: Justiça versus o professor assalariado do baixo escalão, analisamos:
            A priori, aqueles que exercem qualquer tipo de trabalho em troca de um valor salarial, são considerados como assalariados. Inclusive, desembargadores, juízes, promotores e outras figuras da esfera social. Mas, é relevante destacar que, alguns poucos assalariados, fazem parte das categorias que não terão seus salários enfraquecidos com o decorrer do tempo. Esse não é o caso da grande maioria, sobretudo, os professores do Estado de Pernambuco.
            Nesse quadro, semelhante aos escravos alforriados são os modernos assalariados; essa grande proporção de trabalhadores que recebem em troca de seus serviços, o mínimo possível para sobreviver. Mas, caso os professores, enquanto categoria assalariada recuse receber esse valor ínfimo de fome, o rei despótico, na esfera maior, fara suas perseguições tirânicas, reforçado pelo aprisionamento condicional de seu “exército” de contratados, subjugados e oprimidos com ameaças direta e indireta.
            Imaginamos agora, se a tirania do rei subalterniza e manipula os órgãos que você imagina caracterizar isonomias sociais; assim, os embustes como: TJ, MP, TRE, TRT e tantos outros órgãos, não passam de mecanismos burocráticos, que contribui para tornar o assalariado cada vez mais dócil e obediente nos formalismos. Nessas castrações das criticidades e das refutações, caminhamos para construir, como desejava Rockefeller, uma nação de trabalhadores incapaz de pensar, em detrimento de uma nação de intelectuais – “Gloriosa” nação, composta em sua maioria, de braçais.
             E, para um despertar dos assalariados, lembramos a concepção de justiça em Platão, onde ela significa à conveniência do mais forte; logo, a lei não é outra coisa senão os interesses dos mais poderosos, ela consiste em fazer o que é mais proveitoso para os donos desse poder. Esses donos estão sempre lhe fazendo engolir conceitos de liberdade, de justiça, de direitos e etc. O governante engordará o seu rebanho, não para benefícios das ovelhas, mas para o seu próprio proveito. Desse modo, Foucault não traz nada de novo, quando afirma que os tribunais e a justiça possuem a alma e a ideologia burguesa. Logo, seria demasiadamente ingênuo esperar que qualquer figura dogmática da justiça, não amordaçasse uma classe de assalariados, sobretudo, das esferas mais fragilizadas.
            O que podemos esperar dos fantoches legalistas da esfera judiciária nessa questão “justiça X assalariados”? Quais os benefícios que pode emanar dos privilegiados de cima - Dos assalariados de colarinhos e gravatas?  O que esperar também, dos “representantes” parlamentares ou do executivo? A pior medida possível é o que se deve esperar. Desse modo, é interessante que se destaque as palavras sábias de Thoreau: “tais homens não merecem respeito maior que um espantalho ou um monte de lama – valor de cães”.
            Por fim, justiça com princípio ético-político sugere uma sociedade de indivíduos projetados para acatar, amordaçado, as ordens que vêm de cima. Dentre elas, que todo assalariado tenha uma mentalidade que não ultrapasse a capacidade de exercer uma mera tarefa burocrática de escritório.











[1] Historiador

sexta-feira, 17 de abril de 2015


A EDUCAÇÃO QUE PROMETE UM PARAÍSO NA TERRA
                                                        Luciano Silva de Menezes [1]
O conceito de educação, hoje desgastado, ficou resumido, sobretudo, pelo senso comum, ao que acontece nas instituições formais de ensino: creches, escolas do fundamental e médio, cursos técnicos, universidades, e outras tantas fundações que atendem a demanda da obrigatoriedade, quer seja pela lei, ou pelos costumes.  Esses “espaços educacionais”, atuando na maioria das vezes, com instruções mecânicas, dão sustentabilidade a uma monopolização do aprendizado, principalmente, revestido pela ideia rude, limitada e linear, de uma “educação” que abre caminho para o mercado de trabalho. Ou seja, propagamos o conceito de educação que tomou uma conotação fechada, ligada a uma concepção de escolas curriculares, com ensino obrigatório, domesticação confundida com disciplina, sem distinção alguma entre ensino e aprendizagem.
Essas instituições afirmam, ironicamente, medir conhecimentos, classificando “vencedores” e “derrotados” – registrando pontuações de “um a dez”, inserindo-as nas mentalidades uniformizadas e escolarizadas, que engolem, sem a menor rejeição, o “pacote” curricular imposto. Um conhecimento que alguém afirmou ser relevante, em medida similar, para toda sociedade. Professores, alunos e a sociedade são “porta-vozes” dessas ideologias mentirosas que prometem salvações.
É, a partir desses espaços hierarquizados, sombrios e disciplinados, que boa parte da sociedade aguarda uma total transformação social. Desse modo, anunciam que a educação não pode existir fora das paredes dessas instituições, ou seja, de acordo com o consenso fabricado, somente tais campos de confinamentos, denominados instituições de ensino, poderão oferecer a “salvação” da humanidade, principalmente na pátria educadora, que fomenta essa educação para os músculos - Educação do operariado. Ele, enquanto “educado”, “morde a isca” diariamente, cada vez que se submete a uma nova moda compulsória, repetindo jargões grosseiros e vulgares, como: “a educação transforma!”.
O sujeito de mente escolarizada, coletivizado e com espírito pueril, acredita em muitas abstrações que digeriu na escola, engodos como: Democracia, PIB, manifestações ordeiras, capaz de transformar o status quo, ONG’s, representatividade e etc.
Logo, o otimismo burguês, por ingenuidade ou tendenciosamente, afirma que uma sociedade educada pela escola é chave para acabar de vez com a violência, com os crimes, com as desigualdades, com o racismo e etc. Dizem: “Numa sociedade culta não existe intolerância.”
A Alemanha nazista, Estado constituído de um povo culto e escolarizado, entretanto, apoiaram as torturas, as perseguições e as mortes de judeus. A educação alemã não foi suficiente para afastar a xenofobia, o preconceito e o ódio. De forma idêntica, nossos modelos formais de educação têm fortalecido desigualdades e preconceitos e, seguem fazendo promessas mágicas para o futuro. 
Ivan Illich afirmava que, a Igreja ao menos oferecia uma chance para o condenado que pedisse perdão à beira da morte, enquanto que, a escola traz uma expectativa de uma vã esperança, de que um dia seus netos farão uma sociedade melhor através dela.
Enfim, talvez seja necessário enxergarmos formas educacionais mais significativas, sobretudo, em locais da sociedade, onde jamais um olhar escolarizado e míope percebe educação, onde o chicote do governo tirano não provoque tanto caos.




[1] Historiador

sexta-feira, 3 de abril de 2015


HERDAMOS A VIOLÊNCIA, QUER SEJAMOS VÍTIMAS OU CÚMPLICES.
                                                                Luciano Silva de Menezes [1]

Hoje, em meio a recente questão sobre a redução da maioridade penal, concomitantemente, num prisma mais reduzido, temos um crescente número de assassinatos em Pernambuco. Situações que instigam raivosamente à ideia monomaníaca, que ataca os efeitos e pouco percebem causas. Essa miopia social possui uma crença cega em modos fictícios de resoluções de problemas, coisas como: Mudança de código penal, redução de maioridade, policiamento nas ruas, pacto pela vida, e outras tantas medidas que não representam nada além de aplicações de poderes coercitivos, com uso de forças físicas alienadas e alienantes.
Tal como, diversas legislações sanguinárias, contra os pobres e “vagabundos,” instauradas na Europa no século XVI, essas medidas têm na essência esse viés eurocêntrico: “classes pobres - classes perigosas.” “Prisões a todos os “criminosos voluntários,” independentemente da idade”.
Estamos caminhando para esse “progresso” de ideologias desprovidas de qualquer Morus Conscientiae – Remorso da consciência. Semelhante ao filósofo John Locke, imploramos que não corte apenas uma parte da orelha do criminoso, mas, que decepem as duas. Assim, nessas reproduções do pensamento conservador burguês, abençoadas pela tirania cristã, podemos enfim, comemorar a reclusão de cada indivíduo invisível posto atrás das grades.
Sem enxergar muito sobre as degradações humanas, queremos a todo custo estabelecer uma paz perene na sociedade da fome e das desigualdades políticas e econômicas. Ao passo que, na vida real, é muito natural que se prolifere assassinatos, roubos, escravizações, tiranias, sendo que, na grande maioria, vitimando massas invisíveis, que não possuem peso algum na balança da consciência burguesa. Um dos quadros críticos dessa guerra civil apresenta: Policial pobre, sobretudo, intelectualmente, mata indivíduos pobres igualmente.
E essas violências, como afirma o antropólogo Juracy Marques, portam suas próprias maldições e autodestruições, pois, quando estamos prontos para matar, é sinal de que já estamos mortos; assim, nessa perspectiva de vida morta é que vivem os assassinos.
Contudo, nossos bordões continuam repetindo as palavras democracia e liberdade, mas, em práticas, subalternizando sujeitos de almas amordaçadas, que em nossa conjuntura de consciências conservadoras e injustas, não lhes concedem sequer o direito de se lamentar.



[1] Historiador

ASSASSINATOS E CRESCENTE VIOLÊNCIA

                                                                                 Luciano Silva de Menezes[1]
Os crescentes números da violência em Serra Talhada, que segundo o Farol, calcula 15 assassinatos em menos de dois meses, veem causando uma admiração na maioria. Alguns, motivados por um simplismo habitual, correlacionam à violência a figura de Lampião como um protótipo instigante.  Outros, em meio ao senso comum, concluem que o crime deve desaparecer por completo; alguns acreditam e clamam pelo embuste da proteção do Estado na figura da polícia.
Olhar o crime com uma causa e não como um efeito, é que tem ocorrido em nossa sociedade, inviabilizando análises mais amplas. É necessário compreender o crime como efeito, buscar as causas que o produz, assim, talvez se possa explicar um fato social. Entender também que o efeito não pode existir sem a causa – reciprocidade.
Em meio às disparidades econômicas, sociais, educacionais e políticas é impossível uma sociedade sem crimes. Numa conjuntura política onde uma figura se mantém por 40 anos no poder, saindo com “lágrimas” nos olhos, e com intuito de escrever um livro com suas “proezas,” não se pode se espantar com um índice elevado de criminalidades.
Para dirimir toda criminalidade como sonham, seria necessário um nivelamento das consciências, o que é impossível e indesejável. O crime, como diria Durkheim, é necessário e ele está ligado às condições fundamentais de qualquer vida social. Através dele obteremos as modificações necessárias, ele nos prepara diretamente para mudanças concretas.
“A liberdade do pensamento que gozamos hoje nunca poderia ter sido proclamada se as regras que a proibiam não tivessem sido violadas.” (Durkheim).






[1] HISTORIADOR

A SOCIEDADE DO MANDONISMO.
                                                                  Luciano Silva de Menezes [1]
São perceptíveis os fortes traços de autoritarismo que encontramos na nossa sociedade. O poder de mandar é inebriante e erradia, quem ordena se sente dono da razão, e quem obedece, associa esse ato a uma honra e moral. Assim, a desobediência é vista como um opróbrio e amedronta. Obedecer é uma virtude na sociedade onde a influência do cristianismo é exacerbada. Esse dogma é demasiadamente sagrado, tal como os lucros financeiros.  A lei do lucro sobrepuja todas as leis, mas ela só é viabilizada diante das docilidades e da dicotomia –“mandar e obedecer”.
Basta olhar o orgulho estampado no rosto do soldado diante da ordem superior hierárquica, ou mesmo a felicidade e os risos provenientes dos grupos de trabalhadores, mesmo em circunstâncias adversas.
O poder autoritário está também nos pais que impõe, independentemente da subjetividade dos filhos. O poder de mandar está na escola, na figura do professor que tem quase sempre a última e sufocante palavra em detrimento do aluno. Desse modo, o poder autoritário se expande com o caráter “axiomático”, naquelas “verdades” incontestáveis ditas pelos médicos, pelos padres, pastores, televisão, pelos senhores “dignos de honras”.
O modelo de sociedade do mandonismo cultua os programas policiais, as armas que simbolizam poder, ama o civismo, os “bons modos,” defendem os modelos obtusos de escola militar. Suplicam por aumento do contingente policial e a força hierárquica do Estado. Adoram o “verde e o amarelo”, a bandeira. Aos moldes hobbesiano, ultrapassam não somente a cega obediência ao Estado, mas a obediência em largas e pequenas escalas, que favorecem apenas pequenos grupos. Mas que são apresentadas como benesses sociais.
Enfim, a sociedade autoritária possui elementos que sofrem influências do mórbido militarismo, logo serão escassos os diálogos entre esta sociedade e o refratário, sobretudo se ele pensar suas ações e contestar realidades.



[1] HISTORIADOR

COTAS PARA NEGROS EM CONCURSOS FEDERAIS
                                                                                                           Luciano Silva de Menezes [1]
No Senado, mais uma aprovação de lei inerente às cotas raciais. Sendo que desta vez, relacionada aos 20% das vagas em concursos públicos federais, que será destinada aos negros. Lei de aprovação rápida, num dinamismo inusitado no tocante a aprovações de leis, sobretudo, quando se trata de benefícios sociais. Fazendo surgir algumas perguntas:
Trazendo benesses concretas e amplas para o grande número de negros desprovidos economicamente, essa lei seria rapidamente aprovada? E por que não, uma lei rigorosa no tocante aos parâmetros de renda familiar, tanto para ingresso em universidades quanto aos concursos?
O tal discurso do “corrigir” um erro histórico, não se aplica as fragilidades econômicas e sociais? Desse modo, restringindo-se apenas as concepções intrínsecas nas mentalidades, sobretudo do próprio negro.
Desde o Diabo medieval pintado de preto que percorreu também a arte bizantina e chegou até o presente momento com seu caráter pejorativo associado a uma cor inferiorizada, geradora da vergonha e do medo. “Ser negro” foi sempre apresentado como ser menos, ser o menor, ser a inferioridade; assim, a imposição coercitiva é feita pelo branco em seu estereotipo de beleza, também foi tragado e propagação pelo negro que tenta a fuga, buscando imitar o branco, desde as vestes, o “embranquecer” da pele, até o esticar do cabelo na contemporaneidade – é a necessidade de ser branco na sociedade eurocêntrica. Um negro vivendo no “mundo” dos brancos é árduo e doloroso.
Desde Hegel até as medíocres declarações e os comportamentos de negros “ilustres” ou não, ainda conseguimos detectar facilmente a nossa fragilidade, assim com o modo de dizer, “o negro é capaz estudar e também passar,” sem a menor análise histórica e social.
Talvez o negro possa ultrapassar algumas barreiras, mas existem outras intransponíveis, inclusive dentro de alguns negros.
Percebemos que é necessário dar ênfase ao negro, devido quadro ideológico que impôs um modelo de perfeição e beleza e que pairou nas sociedades, contudo, a ênfase do fator econômico deve ser mais exacerbada. Ou seja, o fator “ser negro” ainda merece ênfase, mas não tão quanto o fator “ser pobre.” Logo, as cotas estão longe de ser a panaceia social.





[1] Historiador
A NECESSIDADE DA AUTOPRESERVAÇÃO POLÍTICA
                                                                       Luciano Silva de Menezes [1]

Parece não ser necessária nenhuma argúcia para perceber a grande luta pela autopreservação no campo político. É necessário se manter, por si mesmo, ou através de outro. Desse modo, figuras desconhecidas recebem apoios, muitas vezes surgem do nada para assumir determinados cargos elevados.  Os escroques possuem uma fome insaciável; mesmo próximo a sucumbirem fisicamente repassam seus números de campanhas para futuros aproveitadores das fragilidades sociais e econômicas.
Será que no cerne desta autopreservação está o dinheiro ou a preocupação com a sociedade? Será que pensam naqueles que creram, dentre as tantas quimeras, na ilusão do fortalecimento da moeda pelo plano real? Onde se tentou justificar tudo pelo poder de compra, no “consumo fácil” da população mais pobre. Todavia, chegava o momento que o governo precisava incentivar mais e mais o consumo nas classes baixas. Portanto, no similar parasitismo do preservador de si mesmo, o tal governo constitucional necessita do imposto sobre esse consumo desvairado; constituindo assim, um dos meios para se explorar a “riqueza” oriunda do plano real.
A História mostra que essa autopreservação política tem sobrepujado o bem estar social; em outras palavras, os ganhos financeiros e os lucros são primordiais para tais lideranças. A autopreservação tem fortes ligações com a manutenção da sociedade, tal como ela se encontra; ou seja, parece serem eleitos para manter o quadro vigente e não para promover alterações relevantes e mais amplas. Nessa ditadura governamental qual o verdadeiro papel do dinheiro?
É importante seguir observando até onde vão os efeitos devastadores das dinastias despóticos, sobretudo, em Pernambuco e claro, no Maranhão. Até quando vai durar essa confiança nos líderes? Até quando vamos chamar de mudança o processo de autopreservação política? Até quando as inteligências serão insultadas com o embuste chamado de democracia e a ilusão do sufrágio universal?



[1] Historiador


A ZONA FRANCA DO SEMIÁRIDO E A “GENEROSIDADE” CHINESA
                                                                       Luciano Silva de Menezes [1]

Não se pode em hipótese alguma classificar os chineses como insensíveis, sobretudo, agora que despertamos os seus interesses. Aliás, nada como uma pequena ascensão nos salários dos operários por lá, para se voltarem os interesses pela Tailândia, Malásia, Filipinas, Indonésia e também, Brasil. Nessa exportação de capital, os chineses quase sempre cobertos de “razão,” certamente, optam por pagar salários equiparáveis ao nosso hilário mínimo. Produzem a preços muito baixos em regiões periféricas, nessa fuga, não pagam os salários mais elevados em seus países, essa é uma medida das multinacionais. Terão ainda, várias isenções de impostos, para questionamento do pequeno empresário local. Resultado: o governo deixa de arrecadar do “generoso”, mas jamais abdica do pequeno comerciante.
Por outro lado, os direitos sociais e trabalhistas não recebem tanta relevância na China, por aqui, o caso se torna cada vez mais latente, pouco se fala. Desse modo, a “generosidade” dos chineses pode passear livremente, tal como seu pungente apanágio escravocrata. Antes de tudo, é preciso convencer o trabalhador do semiárido que o baixo salário é demasiadamente suficiente. Tarefa não muito árdua; o desempregado, por sua vez, busca qualquer salário, seja ele de fome ou não.
Na grande zona franca de Manaus, onde a miséria e a fome pouco deram tréguas; aliás, como anda a região norte do país? “Harmoniosamente” envolto nas “generosidades” das ONG’s e outras quimeras. Acreditou-se que toda melancolia e fome haviam cessado no lúgubre período da borracha, mas na realidade transpassou e consegue perdurar.
Contudo, a “generosidade” chinesa se aproxima, promete subempregos em troca das isenções tributárias. Não se pode deixar de destacar que a esmola do subemprego pode ter uma inerência indireta com a obtenção de votos.




[1] Historiador
QUEM TEM BESTA NÃO COMPRA CAVALO
                                                                                  Luciano Silva de Menezes [1]
O adágio popular afirmou: “quem tem besta não compra cavalo.” Nessa perspectiva, temos o cavalo, que geralmente é de alto custo, tanto na aquisição quanto na manutenção. Enquanto, a besta é muito mais acessível ao bolso. Em sua aceitação da rude albarda e da aptidão pelo trabalho árduo, a besta é sempre de grande utilidade. Trabalhando de maneira instintiva mantém a estabilidade gerando lucros; a máquina sempre funciona bem com a besta. Muitas vezes o ralo pasto encontrado naturalmente é suficiente para garantir a sua sobrevivência. Adapta-se facilmente, habitua-se.
O costume sempre exerce um grande poder sobre todos, causa um hábito obtuso, como acontece com a besta domesticada pelo chicote. Acostuma-se a qualquer coisa, ficamos vulneráveis. Assim, também se tornou natural exibir bottons e adesivos com figuras e números de políticos, numa fidelidade desastrosa, quase sempre a baixo custo tal como a besta de carga.
O servilismo em sua esterilidade não se conteve com as pinturas nos muros, com as pessoas e carros como outdoor. Fazem carreatas em troca de combustíveis, ou somente para externar orgulhosamente o seu caráter padronizado – faço o que todos fazem. Também, encontramos figuras estáticas sob um sol causticante, segurando bandeiras em troca de uma bagatela de 30 reais. Certamente, esse é apenas mais um lúgubre meio de arrecadar um trocado, e manter a esterilidade tal como o burro; dá miséria se produz mais miséria. Todavia, aos olhos do “grande homem público,” não me parece que isso passou despercebido. Certos comportamentos nunca serão julgados como injustos, no utilitarismo das bestas.
Os ufanistas sempre exalta a coisa amada, estando em qualquer forma de governo descrito por Aristóteles. No passado, os epirotas adoraram o dedo do rei Pirro, afirmando curar doenças e fazer milagres. Forjando a patranha, o próprio povo acreditava nessas mentiras por eles inventadas. Certamente ultrapassou bem mais que os trezentos anos previstos para a reminiscência da despótica dinastia de Inocêncio. Todavia, quem viver verá. E nessa antinomia, como afirmava a sabedoria popular: quem tem bestas, jamais gasta com cavalos.



[1] Historiador


O SERVO DAS NECESSIDADES MODERNAS
                                                                    Luciano Silva de Menezes [1]
A obediência cega é o emblema triste do servo das necessidades. E, essas necessidades transpassaram o desejo insaciável de ter bens e riquezas; agora é preciso ter status e influências políticas e sociais. É preciso também ser servo e senhor. O homem moderno parece não poder mais se libertar do desejo de servir. Desse modo, o bajulador precisa pensar no “finalismo” para se justificar os “meios.” Precisa obter alguma vantagem no seu eterno ofício de submissão, evidentemente em graus diferenciados, claro. Ainda que os “meios” sejam tão desprezíveis e cômicos, como aplaudir e elogiar a figura do herdeiro de Campos, assim, transformando tabulas rasas em gênios.
O lacaio sempre mendiga favores de seus vários amos, e espera por outro lado, obter parcialmente sua alforria para adquirir também alguns escravos, e ser igual ao senhor, ligeiramente superior e modelo de homem “perfeito.” Enquanto não obtém maior liberdade, ele às vezes funciona com um “gerente” exemplar, que administra as coisas do patrão, mantendo seus “companheiros” dentro da “ordem” do mercado servil, um capataz moderno, e tendo como troca: uns trocados a mais; o direito de se dizer mais íntimo do senhor e de receber umas “tapinhas” nas costas, e quase sempre ser alvo de zombarias.
Diante do “chicote” do mercado econômico e político, o subalterno homem moderno não pode mais ser ele próprio. Renuncia a si mesmo desde cedo, quando é quase obrigado a ingressar nos cursos que oferecem mais mercado. Pouco interessa a sua pessoa, e sim, as demandas dos editais, das fábricas, dos tribunais, das empresas, dos fóruns, dos hospitais. Cedem suas vidas ao conjunto das necessidades alheias ou mercadológicas.
Então, alguns afirmam convencidos numa razão cristalizada: “Mas, esse curso tem mercado? Paga bem?” Enquanto isso, boa parte da sociedade exalta esse modelo estrutural em que as pessoas devem viver para suprir as necessidades econômicas e vaidades alheias e, pouco se fala no indivíduo como figura essencial da vida.



[1] Historiador

O POVO INDOLENTE MERECE TAMBÉM PAGAR PEDÁGIO NA BR 232
                                                           Luciano Silva de Menezes [1]

A massa em sua eterna apatia venera necessitadamente os seus representantes e quase sempre afirmam: “Ele é nosso! Da nossa terra! Vamos apoiar quem é de casa”.
O povo inerte na sua ortodoxia também adora citar a constituição, pois é demasiadamente crente nos sofismas da democracia e nas “representatividades” políticas pelas figuras dos “Bastiões,” que, de débeis, trazem somente os semblantes.
A indolência do povo precisa inevitavelmente ser guiada pelos “Bastiões”, que geralmente possuem uma sede insaciável pelo poder. Assim, o falso desenvolvimento ocorre nas propostas legislativas imorais como essa do pedágio, que somente fortalece e favorece as oligarquias coexistentes, além de revigorar uma comunidade de escravos devotos.
Todavia, os negligentes com suas demonstrações de respeito e amor para com os “Bastiões,” não devem jamais se opor a essa e a outras medidas de caráter bastiônicos, como a aposentadoria vitalícia de 15.400 para Roseana Sarney; também não devem ser contra as duas míseras parcelas anuais de 20 mil para o auxílio paletó dos parlamentares; não contrapor, mas aplaudir os salários de ministros, parlamentares e senadores, na bagatela de 33 mil; concordar plenamente com a “árdua punição” da aposentadoria compulsória, com salários integrais para juízes que desviam verbas públicas.
Desse modo, podemos dizer que o chicote do “São Bastião,” que tenta impor mais uma carga nas costas das mulas dedicadas, não ameaça de forma alguma o eterno processo de adoração, e não somente garante, mas solidifica a sua santificação pelo povo indolente.



[1] Historiador
REALISMO TAMBÉM NO AUMENTO DAS SUAS CONTAS DE ENERGIA
                                                                       Luciano Silva de Menezes [1]
            Os planejamentos de construções de barragens buscavam, segundo o CBDB - Comitê Brasileiro de Barragens, um maior usufruto dos benefícios dos recursos naturais oriundos dos recursos hídricos. Propagando o discurso do “mudar para melhor”, a CHESF afirmava também a necessidade de ampliar a produção de energia já no final da década de 1970. Cria-se dessa forma, a ideia de um progresso vindouro e almejado por muitos, justificado por um desenvolvimento promissor que estava por vir.
Todavia, era visível o descompromisso com a sociedade, com a grande quantidade de gente que deveria ser realocada, e “indenizada,” frente às grandes obras estruturais. Paulatinamente, em meados início dos anos 1980, aumentava gradativamente a expansão de uma política discursiva que afirmava um processo de modernização e mudanças relevantes.
No caso das cidades inundadas pelo lago da barragem de Itaparica, hoje apesar das secas constantes e da queda do nível do reservatório, ainda não chegamos ao ponto da suspensão diária de energia, entretanto, hoje, o “realismo tarifário” de Rufino coloca mais uma carga pesada nas costas das “mulas consumidoras,” além das divulgações dos discursos que colocam a massa como responsável pelos seus “consumos exacerbados.” Fatores que já vem ocorrendo em alguns estados venezuelanos.
Contudo, não somente a população reassentada no sertão de Itaparica, contraditoriamente amarga os preços elevados nas contas de energia, mas grande parte da população brasileira sofre com isso.
Para o Estado, para a CHESF e para a CODEVASF, as mudanças eram essenciais, independentemente das proporções tomadas. Elas representavam a construção de uma “modernidade e de um progresso” e, a energia produzida a partir das construções das barragens simboliza mais um fruto imprescindível dessa “modernidade”.
Como pano de fundo dessas políticas modernas enganadoras, nas construções das barragens estava às relações econômicas determinantes que instigava uma prática política que Florestan Fernandes descreveu como utópica e que não sobrepujou o sofisma iluminista. Uma vez que, olhando por o viés desses conceitos, futuramente os consumidores de energia do sertão de Itaparica teriam que pagar preços cada vez mais elevados de uma energia produzida a partir de seus próprios recursos naturais, o que tem sido totalmente discrepante com o discurso da época.
Enfim, essa realidade árdua é apenas o princípio de grandes tempestades que se aproximam.




[1] Historiador 
A EDUCAÇÃO DA SOCIEDADE MODERNA
                                                                                  Luciano Silva de Menezes[1]
A forma de educação moderna consolida, por razões econômicas, a finalidade da LDB, ou seja: educar para o trabalho - formação de mão-de-obra, sobretudo, a baratíssima. Educação rápida, enxuta, flexível, compactada, destinadas primordialmente aos pobres; educação de caráter taylorista – fordista, (adentre no mundo do trabalho produzindo muito em pouco tempo, ganhando somente o necessário para não morrer de fome). Nesse modelo de educação acrítico e empobrecedor as ordens ocultas são: “leia pouco ou nada! Dê preferência aos resumos, textos sintetizados, livros sem a menor profundidade intelectual e distantes das questões sociais. Prefira o filme e não o livro; “gênio” é o ser supremo dos cálculos; as matérias mais relevantes são Português e Matemática. Pra que serve Filosofia, Sociologia, História, Geografia, Antropologia? Que reduzam as horas disso tudo”.
 Nessa pedagogia da domesticação o que predomina é uma educação onde jamais se deve pensar criticamente. Esse dogmatismo educacional já construiu o “certo” e o “errado,” agora só resta ao aluno repetir tal qual um papagaio. Em seus processos mnemônicos permanecem numa eterna decoração engessada, mecanizada: memorizam fórmulas, compostos, datas, fatos. Apoiados nos “vade mécuns” da vida padronizam realidades e pessoas; e essa autodisciplina fechada e doentia segue “educando” desde os jovens da educação básica até os doutores, quer seja, aqueles do senso comum ou aqueles com o título acadêmico.  
A princípio, a educação moderna tem como objetivo formar polivalentes, técnicos, “Bombril” que se destinam as esmolas do subemprego. Fato criticado não somente por Saviani; essa é a pobre função da educação que faz promessas a todos os ouvidos passivos que sempre ouve e repete a informação de rebanho, de forma massificada.
De um lado, temos o rebaixamento do ensino para as camadas populares, do outro, a educação decoreba de competidores, mercantilizada e desvinculada da vida real. Por meio de acumulações de superficialidades, estabeleceu-se um dualismo escolar, porém prevaleceu a banalização, a “aula show,” e as infinidades de cursinhos. Uma educação subalterna da economia, que também é uma característica dos níveis superiores e a cada segundo surge uma nova instituição, um novo curso. Ávidos por dinheiro e status, na maioria das vezes confundem diploma com competência, ensino com aprendizagem; realidade também presente nas universidades públicas, que seguem mergulhadas em suas produções, de circulação somente entre os seus muros e que, segundo Nildo Ouriques, caracteriza uma farsa intelectual presa ao imobilismo, quase sempre sem nenhuma validade social. Nessa sociedade dos diplomados, o certificado muitas vezes tem sido uma forma de manipulação mercadológica e de falsa superioridade - um arrivismo sócio acadêmico.
Assim, numa análise mais ampla, o que se percebe é uma vasta domesticação de educandos e de educadores, presos a “esfera do ter” e distantes das “concepções do ser”. É necessário observar as palavras de Ivan Illich: “criam-se empregos, destinam-se verbas, independentemente do que o aluno vá absorver”.





[1] Historiador
REFLEXÃO SOBRE AS METAS DO DIA A DIA
                                                                            Luciano Silva de Menezes[1]
A “dignidade” rotineira do trabalho recomenda uma meta a cada instante; com uma fome insaciável constrói direta ou indiretamente: luxos, acúmulos de riqueza, autoritarismo e, consequentemente, injustiças e desigualdades sociais. Quadro assegurado principalmente pelas metas intermináveis.  
Um espírito misto de raposa e abutre está lá, presentes nas “buscas das metas,” edificando grandes estruturas: enormidades que, de modo geral, Nietzsche afirmou estarem cobertas de sangue e suor.
Mas, como se calar diante das enganações das pessoas que são obrigadas a cumprir metas, semelhante ao castigo das Danaides - encher tonéis furados? Como fechar os olhos de modo indiferente em meio ao espetáculo das injustiças no âmbito social das metas infindáveis?
Quão grande é o número de explorados nas esferas comerciais, nas fábricas, nos hospitais, escolas, nos consultórios e em outras tantas repartições. Nos “santuários das metas,” o devoto homem se tornou um objeto, e nessa reificação o objetivo principal é satisfazer os caprichos de uma ordem suprema, que às vezes aparece tão próximo; muitas vezes na figura do gerente caprichoso. Que, quase sempre, com um venda nos olhos prega uma fecundidade falsa para a imposição das metas.
Como se não bastasse, a existência de lucros avarentos de várias formas, a invenção das metas surgiria para castigar corpo e mente. Extraindo o suor e o sangue, atingindo o corpo, e consequentemente, atormentando consciências, em especial, dos chamados profissionais da miséria, ou seja, aqueles que ganham salários ínfimos. Assim, esses marginalizados pela estrutura econômica permanecem suprimidos em seus cumprimentos de metas, na dependência e supervisão daqueles que se encontram anestesiados pela ambição dos lucros ou de seus subordinados – assalariados de colarinho e gravata.
Uma minoria beneficiada pelas metas, ostentando os resultados lucrativos está sempre alheia aos tormentos dos suados cumpridores de metas, chegando somente a se envergonhar do estado de miséria desses trabalhadores ou dos desempregados, às vésperas da sua ceia natalina. Onde, inevitavelmente desperta o seu sentimento de culpa, e então, tenta atenuar as dores reais desses homens, (aflições que perpassam os anos). Doam hipocritamente presentes e cestas básicas como forma de sentirem aliviados do fardo de culpa - o chamado verme da consciência nietzschiano.
Nesse panorama, a “legitimidade” de oprimir pelas metas obteve o seu triunfo, ou seja, conseguiu fazer com que alguns trabalhadores não enxerguem problema algum em tentar cumprir as metas e as suas regras. Diante disso, ocorre uma disposição mental de uma maioria de trabalhadores e, nesse cenário, de lado permanecem estáticos os miseráveis afogados nas metas, e do outro, os bens que brilham: frutos do trabalho produtivo que geralmente sustenta o homem luxuoso e o seu trabalho não produtivo.
Essa realidade de obter riquezas com o suor alheio fez com que Sêneca desafiasse qualquer homem a abrir as portas de sua casa, e convidasse todos da cidade para verificar se encontrava algo que não era legitimamente seu. E, se porventura permanecesse com os mesmos bens, esse seria um homem glorioso.
Concluo que, encontrar esse homem glorioso continua sendo uma tarefa quase impossível, diante da germinação social irrigada com o suor daqueles que não gozam de seu trabalho de forma justa, mas que, continuam “batendo metas” para a ascensão social e econômica de pequenos grupos.
O desafio de Sêneca ainda é válido.








[1] Historiador