COTAS
PARA NEGROS EM CONCURSOS FEDERAIS
Luciano Silva de Menezes [1]
No
Senado, mais uma aprovação de lei inerente às cotas raciais. Sendo que desta
vez, relacionada aos 20% das vagas em concursos públicos federais, que será
destinada aos negros. Lei de aprovação rápida, num dinamismo inusitado no
tocante a aprovações de leis, sobretudo, quando se trata de benefícios sociais.
Fazendo surgir algumas perguntas:
Trazendo
benesses concretas e amplas para o grande número de negros desprovidos
economicamente, essa lei seria rapidamente aprovada? E por que não, uma lei
rigorosa no tocante aos parâmetros de renda familiar, tanto para ingresso em
universidades quanto aos concursos?
O
tal discurso do “corrigir” um erro histórico, não se aplica as fragilidades
econômicas e sociais? Desse modo, restringindo-se apenas as concepções
intrínsecas nas mentalidades, sobretudo do próprio negro.
Desde
o Diabo medieval pintado de preto que percorreu também a arte bizantina e
chegou até o presente momento com seu caráter pejorativo associado a uma cor
inferiorizada, geradora da vergonha e do medo. “Ser negro” foi sempre
apresentado como ser menos, ser o menor, ser a inferioridade; assim, a
imposição coercitiva é feita pelo branco em seu estereotipo de beleza, também
foi tragado e propagação pelo negro que tenta a fuga, buscando imitar o branco,
desde as vestes, o “embranquecer” da pele, até o esticar do cabelo na contemporaneidade
– é a necessidade de ser branco na sociedade eurocêntrica. Um negro vivendo no
“mundo” dos brancos é árduo e doloroso.
Desde
Hegel até as medíocres declarações e os comportamentos de negros “ilustres” ou
não, ainda conseguimos detectar facilmente a nossa fragilidade, assim com o
modo de dizer, “o negro é capaz estudar e também passar,” sem a menor análise
histórica e social.
Talvez
o negro possa ultrapassar algumas barreiras, mas existem outras
intransponíveis, inclusive dentro de alguns negros.
Percebemos
que é necessário dar ênfase ao negro, devido quadro ideológico que impôs um
modelo de perfeição e beleza e que pairou nas sociedades, contudo, a ênfase do
fator econômico deve ser mais exacerbada. Ou seja, o fator “ser negro” ainda
merece ênfase, mas não tão quanto o fator “ser pobre.” Logo, as cotas estão
longe de ser a panaceia social.
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