A SOCIEDADE DO MANDONISMO.
Luciano Silva de Menezes [1]
São
perceptíveis os fortes traços de autoritarismo que encontramos na nossa
sociedade. O poder de mandar é inebriante e erradia, quem ordena se sente dono
da razão, e quem obedece, associa esse ato a uma honra e moral. Assim, a
desobediência é vista como um opróbrio e amedronta. Obedecer é uma virtude na
sociedade onde a influência do cristianismo é exacerbada. Esse dogma é
demasiadamente sagrado, tal como os lucros financeiros. A lei do lucro sobrepuja todas as leis, mas
ela só é viabilizada diante das docilidades e da dicotomia –“mandar e
obedecer”.
Basta
olhar o orgulho estampado no rosto do soldado diante da ordem superior
hierárquica, ou mesmo a felicidade e os risos provenientes dos grupos de
trabalhadores, mesmo em circunstâncias adversas.
O
poder autoritário está também nos pais que impõe, independentemente da
subjetividade dos filhos. O poder de mandar está na escola, na figura do professor
que tem quase sempre a última e sufocante palavra em detrimento do aluno. Desse
modo, o poder autoritário se expande com o caráter “axiomático”, naquelas
“verdades” incontestáveis ditas pelos médicos, pelos padres, pastores,
televisão, pelos senhores “dignos de honras”.
O
modelo de sociedade do mandonismo cultua os programas policiais, as armas que
simbolizam poder, ama o civismo, os “bons modos,” defendem os modelos obtusos
de escola militar. Suplicam por aumento do contingente policial e a força
hierárquica do Estado. Adoram o “verde e o amarelo”, a bandeira. Aos moldes
hobbesiano, ultrapassam não somente a cega obediência ao Estado, mas a
obediência em largas e pequenas escalas, que favorecem apenas pequenos grupos.
Mas que são apresentadas como benesses sociais.
Enfim,
a sociedade autoritária possui elementos que sofrem influências do mórbido militarismo,
logo serão escassos os diálogos entre esta sociedade e o refratário, sobretudo
se ele pensar suas ações e contestar realidades.
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