HERDAMOS
A VIOLÊNCIA, QUER SEJAMOS VÍTIMAS OU CÚMPLICES.
Luciano Silva de Menezes [1]
Hoje,
em meio a recente questão sobre a redução da maioridade penal,
concomitantemente, num prisma mais reduzido, temos um crescente número de
assassinatos em Pernambuco. Situações que instigam raivosamente à ideia
monomaníaca, que ataca os efeitos e pouco percebem causas. Essa miopia social possui
uma crença cega em modos fictícios de resoluções de problemas, coisas como:
Mudança de código penal, redução de maioridade, policiamento nas ruas, pacto
pela vida, e outras tantas medidas que não representam nada além de aplicações
de poderes coercitivos, com uso de forças físicas alienadas e alienantes.
Tal
como, diversas legislações sanguinárias, contra os pobres e “vagabundos,” instauradas
na Europa no século XVI, essas medidas têm na essência esse viés eurocêntrico:
“classes pobres - classes perigosas.” “Prisões a todos os “criminosos
voluntários,” independentemente da idade”.
Estamos
caminhando para esse “progresso” de ideologias desprovidas de qualquer Morus Conscientiae – Remorso da
consciência. Semelhante ao filósofo John Locke, imploramos que não corte apenas
uma parte da orelha do criminoso, mas, que decepem as duas. Assim, nessas
reproduções do pensamento conservador burguês, abençoadas pela tirania cristã,
podemos enfim, comemorar a reclusão de cada indivíduo invisível posto atrás das
grades.
Sem
enxergar muito sobre as degradações humanas, queremos a todo custo estabelecer
uma paz perene na sociedade da fome e das desigualdades políticas e econômicas.
Ao passo que, na vida real, é muito natural que se prolifere assassinatos,
roubos, escravizações, tiranias, sendo que, na grande maioria, vitimando massas
invisíveis, que não possuem peso algum na balança da consciência burguesa. Um
dos quadros críticos dessa guerra civil apresenta: Policial pobre, sobretudo,
intelectualmente, mata indivíduos pobres igualmente.
E
essas violências, como afirma o antropólogo Juracy Marques, portam suas
próprias maldições e autodestruições, pois, quando estamos prontos para matar,
é sinal de que já estamos mortos; assim, nessa perspectiva de vida morta é que
vivem os assassinos.
Contudo,
nossos bordões continuam repetindo as palavras democracia e liberdade, mas, em
práticas, subalternizando sujeitos de almas amordaçadas, que em nossa
conjuntura de consciências conservadoras e injustas, não lhes concedem sequer o
direito de se lamentar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário