A EDUCAÇÃO QUE PROMETE UM PARAÍSO
NA TERRA
Luciano Silva de Menezes [1]
O
conceito de educação, hoje desgastado, ficou resumido, sobretudo, pelo senso
comum, ao que acontece nas instituições formais de ensino: creches, escolas do fundamental
e médio, cursos técnicos, universidades, e outras tantas fundações que atendem a
demanda da obrigatoriedade, quer seja pela lei, ou pelos costumes. Esses “espaços educacionais”, atuando na
maioria das vezes, com instruções mecânicas, dão sustentabilidade a uma monopolização
do aprendizado, principalmente, revestido pela ideia rude, limitada e linear,
de uma “educação” que abre caminho para o mercado de trabalho. Ou seja, propagamos
o conceito de educação que tomou uma conotação fechada, ligada a uma concepção
de escolas curriculares, com ensino obrigatório, domesticação confundida com
disciplina, sem distinção alguma entre ensino e aprendizagem.
Essas
instituições afirmam, ironicamente, medir conhecimentos, classificando
“vencedores” e “derrotados” – registrando pontuações de “um a dez”,
inserindo-as nas mentalidades uniformizadas e escolarizadas, que engolem, sem a
menor rejeição, o “pacote” curricular imposto. Um conhecimento que alguém
afirmou ser relevante, em medida similar, para toda sociedade. Professores,
alunos e a sociedade são “porta-vozes” dessas ideologias mentirosas que
prometem salvações.
É,
a partir desses espaços hierarquizados, sombrios e disciplinados, que boa parte
da sociedade aguarda uma total transformação social. Desse modo, anunciam que a
educação não pode existir fora das paredes dessas instituições, ou seja, de
acordo com o consenso fabricado, somente tais campos de confinamentos,
denominados instituições de ensino, poderão oferecer a “salvação” da
humanidade, principalmente na pátria educadora, que fomenta essa educação para
os músculos - Educação do operariado. Ele, enquanto “educado”, “morde a isca”
diariamente, cada vez que se submete a uma nova moda compulsória, repetindo
jargões grosseiros e vulgares, como: “a educação transforma!”.
O
sujeito de mente escolarizada, coletivizado e com espírito pueril, acredita em
muitas abstrações que digeriu na escola, engodos como: Democracia, PIB, manifestações
ordeiras, capaz de transformar o status quo, ONG’s, representatividade e etc.
Logo,
o otimismo burguês, por ingenuidade ou tendenciosamente, afirma que uma
sociedade educada pela escola é chave para acabar de vez com a violência, com
os crimes, com as desigualdades, com o racismo e etc. Dizem: “Numa sociedade
culta não existe intolerância.”
A
Alemanha nazista, Estado constituído de um povo culto e escolarizado,
entretanto, apoiaram as torturas, as perseguições e as mortes de judeus. A
educação alemã não foi suficiente para afastar a xenofobia, o preconceito e o
ódio. De forma idêntica, nossos modelos formais de educação têm fortalecido
desigualdades e preconceitos e, seguem fazendo promessas mágicas para o
futuro.
Ivan
Illich afirmava que, a Igreja ao menos oferecia uma chance para o condenado que
pedisse perdão à beira da morte, enquanto que, a escola traz uma expectativa de
uma vã esperança, de que um dia seus netos farão uma sociedade melhor através
dela.
Enfim,
talvez seja necessário enxergarmos formas educacionais mais significativas,
sobretudo, em locais da sociedade, onde jamais um olhar escolarizado e míope
percebe educação, onde o chicote do governo tirano não provoque tanto caos.
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