O SERVO DAS NECESSIDADES MODERNAS
Luciano Silva de Menezes [1]
A
obediência cega é o emblema triste do servo das necessidades. E, essas
necessidades transpassaram o desejo insaciável de ter bens e riquezas; agora é
preciso ter status e influências políticas e sociais. É preciso também ser
servo e senhor. O homem moderno parece não poder mais se libertar do desejo de
servir. Desse modo, o bajulador precisa pensar no “finalismo” para se
justificar os “meios.” Precisa obter alguma vantagem no seu eterno ofício de
submissão, evidentemente em graus diferenciados, claro. Ainda que os “meios”
sejam tão desprezíveis e cômicos, como aplaudir e elogiar a figura do herdeiro
de Campos, assim, transformando tabulas rasas em gênios.
O
lacaio sempre mendiga favores de seus vários amos, e espera por outro lado,
obter parcialmente sua alforria para adquirir também alguns escravos, e ser
igual ao senhor, ligeiramente superior e modelo de homem “perfeito.” Enquanto
não obtém maior liberdade, ele às vezes funciona com um “gerente” exemplar, que
administra as coisas do patrão, mantendo seus “companheiros” dentro da “ordem”
do mercado servil, um capataz moderno, e tendo como troca: uns trocados a mais;
o direito de se dizer mais íntimo do senhor e de receber umas “tapinhas” nas
costas, e quase sempre ser alvo de zombarias.
Diante
do “chicote” do mercado econômico e político, o subalterno homem moderno não
pode mais ser ele próprio. Renuncia a si mesmo desde cedo, quando é quase
obrigado a ingressar nos cursos que oferecem mais mercado. Pouco interessa a
sua pessoa, e sim, as demandas dos editais, das fábricas, dos tribunais, das
empresas, dos fóruns, dos hospitais. Cedem suas vidas ao conjunto das
necessidades alheias ou mercadológicas.
Então,
alguns afirmam convencidos numa razão cristalizada: “Mas, esse curso tem
mercado? Paga bem?” Enquanto isso, boa parte da sociedade exalta esse modelo
estrutural em que as pessoas devem viver para suprir as necessidades econômicas
e vaidades alheias e, pouco se fala no indivíduo como figura essencial da vida.
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