REALISMO TAMBÉM NO AUMENTO DAS SUAS
CONTAS DE ENERGIA
Luciano Silva de Menezes [1]
Os planejamentos de construções de
barragens buscavam, segundo o CBDB - Comitê Brasileiro de Barragens, um maior
usufruto dos benefícios dos recursos naturais oriundos dos recursos hídricos.
Propagando o discurso do “mudar para melhor”, a CHESF afirmava também a
necessidade de ampliar a produção de energia já no final da década de 1970.
Cria-se dessa forma, a ideia de um progresso vindouro e almejado por muitos,
justificado por um desenvolvimento promissor que estava por vir.
Todavia,
era visível o descompromisso com a sociedade, com a grande quantidade de gente
que deveria ser realocada, e “indenizada,” frente às grandes obras estruturais.
Paulatinamente, em meados início dos anos 1980, aumentava gradativamente a
expansão de uma política discursiva que afirmava um processo de modernização e
mudanças relevantes.
No
caso das cidades inundadas pelo lago da barragem de Itaparica, hoje apesar das
secas constantes e da queda do nível do reservatório, ainda não chegamos ao
ponto da suspensão diária de energia, entretanto, hoje, o “realismo tarifário”
de Rufino coloca mais uma carga pesada nas costas das “mulas consumidoras,”
além das divulgações dos discursos que colocam a massa como responsável pelos
seus “consumos exacerbados.” Fatores que já vem ocorrendo em alguns estados
venezuelanos.
Contudo,
não somente a população reassentada no sertão de Itaparica, contraditoriamente
amarga os preços elevados nas contas de energia, mas grande parte da população
brasileira sofre com isso.
Para o Estado, para a CHESF e para a CODEVASF,
as mudanças eram essenciais, independentemente das proporções tomadas. Elas
representavam a construção de uma “modernidade e de um progresso” e, a energia
produzida a partir das construções das barragens simboliza mais um fruto
imprescindível dessa “modernidade”.
Como pano de fundo dessas políticas
modernas enganadoras, nas construções das barragens estava às relações
econômicas determinantes que instigava uma prática política que Florestan
Fernandes descreveu como utópica e que não sobrepujou o sofisma iluminista. Uma
vez que, olhando por o viés desses conceitos, futuramente os consumidores de
energia do sertão de Itaparica teriam que pagar preços cada vez mais elevados
de uma energia produzida a partir de seus próprios recursos naturais, o que tem
sido totalmente discrepante com o discurso da época.
Enfim, essa realidade árdua é apenas o
princípio de grandes tempestades que se aproximam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário