A EDUCAÇÃO DA SOCIEDADE MODERNA
Luciano Silva de Menezes[1]
A
forma de educação moderna consolida, por razões econômicas, a finalidade da
LDB, ou seja: educar para o trabalho - formação de mão-de-obra, sobretudo, a
baratíssima. Educação rápida, enxuta, flexível, compactada, destinadas
primordialmente aos pobres; educação de caráter taylorista – fordista, (adentre
no mundo do trabalho produzindo muito em pouco tempo, ganhando somente o
necessário para não morrer de fome). Nesse modelo de educação acrítico e
empobrecedor as ordens ocultas são: “leia pouco ou nada! Dê preferência aos
resumos, textos sintetizados, livros sem a menor profundidade intelectual e distantes
das questões sociais. Prefira o filme e não o livro; “gênio” é o ser supremo
dos cálculos; as matérias mais relevantes são Português e Matemática. Pra que
serve Filosofia, Sociologia, História, Geografia, Antropologia? Que reduzam as
horas disso tudo”.
Nessa pedagogia da domesticação o que
predomina é uma educação onde jamais se deve pensar criticamente. Esse
dogmatismo educacional já construiu o “certo” e o “errado,” agora só resta ao
aluno repetir tal qual um papagaio. Em seus processos mnemônicos permanecem numa
eterna decoração engessada, mecanizada: memorizam fórmulas, compostos, datas,
fatos. Apoiados nos “vade mécuns” da vida padronizam realidades e pessoas; e essa
autodisciplina fechada e doentia segue “educando” desde os jovens da educação
básica até os doutores, quer seja, aqueles do senso comum ou aqueles com o
título acadêmico.
A
princípio, a educação moderna tem como objetivo formar polivalentes, técnicos, “Bombril”
que se destinam as esmolas do subemprego. Fato criticado não somente por
Saviani; essa é a pobre função da educação que faz promessas a todos os ouvidos
passivos que sempre ouve e repete a informação de rebanho, de forma
massificada.
De
um lado, temos o rebaixamento do ensino para as camadas populares, do outro, a
educação decoreba de competidores, mercantilizada e desvinculada da vida real.
Por meio de acumulações de superficialidades, estabeleceu-se um dualismo
escolar, porém prevaleceu a banalização, a “aula show,” e as infinidades de cursinhos.
Uma educação subalterna da economia, que também é uma característica dos níveis
superiores e a cada segundo surge uma nova instituição, um novo curso. Ávidos
por dinheiro e status, na maioria das vezes confundem diploma com competência,
ensino com aprendizagem; realidade também presente nas universidades públicas,
que seguem mergulhadas em suas produções, de circulação somente entre os seus
muros e que, segundo Nildo Ouriques, caracteriza uma farsa intelectual presa ao
imobilismo, quase sempre sem nenhuma validade social. Nessa sociedade dos
diplomados, o certificado muitas vezes tem sido uma forma de manipulação
mercadológica e de falsa superioridade - um arrivismo sócio acadêmico.
Assim,
numa análise mais ampla, o que se percebe é uma vasta domesticação de educandos
e de educadores, presos a “esfera do ter” e distantes das “concepções do ser”.
É necessário observar as palavras de Ivan Illich: “criam-se empregos,
destinam-se verbas, independentemente do que o aluno vá absorver”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário