QUEM TEM BESTA NÃO COMPRA CAVALO
Luciano Silva de Menezes [1]
O
adágio popular afirmou: “quem tem besta não compra cavalo.” Nessa perspectiva, temos
o cavalo, que geralmente é de alto custo, tanto na aquisição quanto na
manutenção. Enquanto, a besta é muito mais acessível ao bolso. Em sua aceitação
da rude albarda e da aptidão pelo trabalho árduo, a besta é sempre de grande
utilidade. Trabalhando de maneira instintiva mantém a estabilidade gerando
lucros; a máquina sempre funciona bem com a besta. Muitas vezes o ralo pasto
encontrado naturalmente é suficiente para garantir a sua sobrevivência. Adapta-se
facilmente, habitua-se.
O
costume sempre exerce um grande poder sobre todos, causa um hábito obtuso, como
acontece com a besta domesticada pelo chicote. Acostuma-se a qualquer coisa,
ficamos vulneráveis. Assim, também se tornou natural exibir bottons e adesivos
com figuras e números de políticos, numa fidelidade desastrosa, quase sempre a
baixo custo tal como a besta de carga.
O
servilismo em sua esterilidade não se conteve com as pinturas nos muros, com as
pessoas e carros como outdoor. Fazem carreatas em troca de combustíveis, ou
somente para externar orgulhosamente o seu caráter padronizado – faço o que
todos fazem. Também, encontramos figuras estáticas sob um sol causticante,
segurando bandeiras em troca de uma bagatela de 30 reais. Certamente, esse é
apenas mais um lúgubre meio de arrecadar um trocado, e manter a esterilidade
tal como o burro; dá miséria se produz mais miséria. Todavia, aos olhos do “grande
homem público,” não me parece que isso passou despercebido. Certos
comportamentos nunca serão julgados como injustos, no utilitarismo das bestas.
Os
ufanistas sempre exalta a coisa amada, estando em qualquer forma de governo
descrito por Aristóteles. No passado, os epirotas adoraram o dedo do rei Pirro,
afirmando curar doenças e fazer milagres. Forjando a patranha, o próprio povo
acreditava nessas mentiras por eles inventadas. Certamente ultrapassou bem mais
que os trezentos anos previstos para a reminiscência da despótica dinastia de
Inocêncio. Todavia, quem viver verá. E nessa antinomia, como afirmava a
sabedoria popular: quem tem bestas, jamais gasta com cavalos.
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