quarta-feira, 18 de março de 2015

O CULTO AO HERÓI NÃO SE LIMITA A LAMPIÃO
                                                           Luciano Silva de Menezes [1]
A tradição imutável ao longo da história mostra a necessidade de uma figura mítica e “heroica,” e Lampião não o foi o primeiro nem o último mito artificial fabricado por matreiros com o intuito de embuste social. Desse modo, Serra Talhada não é a única a cultuar seus “heróis.”
O “herói” nas sociedades primitivas era representado pelo feiticeiro, que extirpava todos os males, derrotando forças inimigas através da magia natural. Na atualidade, a necessidade de liderança ainda se perpetua, observando a postura de admiração e exaltação do povo aos novos mitos políticos em Serra Talhada, sobretudo, os parlamentares em geral e chefes do Executivo.  Esses “heróis” políticos atuam paralisando o povo, e esses por sua vez, não oferecem resistência, subjugados antes de pensar, aguardam um milagre social, pois, a palavra do político é demasiadamente sábia e confortadora, todos acreditam. A autoridade mística dessas lideranças se mostra cada vez mais forte e alienante. Como afirmava La Boétie, em seu “Discurso sobre a servidão voluntária” que a alienação é tão doce como um refrigerante, enquanto, a liberdade, demasiadamente amarga. Liberdade, essa que foi suprimida e teve o seu sentido dizimado pelos partidos políticos, que fazem uso do termo para o seu próprio benefício.
Enfim, esse costume de cultuar exerce grande poder sobre o povo. A necessidade de criar chefes políticos e mitos ainda permanece enraizada na mente, o desejo de servir, o desejo de devoção é o mesmo dos primitivos, enquanto esses “heróis” conduzem a carruagem social.




[1] Historiador.

A EXTREMA UTILIDADE SOCIAL DA EXECUÇÃO DO HINO

                                                                     Luciano Silva de Menezes [1]
É interessante ver uma proposta de lei que consegue enxergar relevância na execução de hinos no tocante à formação de crianças, jovens e adolescentes. Dessa forma, as propostas de leis vão se tornaram cada vez mais envilecidas. Assim, não é tão insólito ver espaços e oportunidades onde se deveria pensar e aprovar leis que trouxessem de fato benesses concretas a grande maioria da população.
Mas, enfim, vamos pensar na “felicidade” em ver um grande número de “especialistas” no hino de Serra Talhada, e quão proveitosas serão as “evoluções” desses jovens.
Acredito que o valor de algo está na comprovação dos efeitos produzidos, sobretudo, a partir de suas particularidades intrínsecas. Quais seriam as peculiaridades e os efeitos produzidos pela execução do hino?
Esse regionalismo conservador apenas mostra o quanto somos rudes e etnocêntricos, o quanto somos incivilizados, o quanto segregamos, criamos grupos, criamos fronteiras, criamos “ordens” e normas insignificantes.
Por que não uma proposta de ensino de teorias e práticas musicais? Onde fossem levantados recursos para isso e, que fossem destinados às crianças e jovens.
A proposta da “massificação do hino” significa uma valorização concreta ao autor ou apenas um regionalismo vicioso e insignificante como a função da repetição mórbida e militarizada?
E por que não uma Lei para suprimir todas as propostas infrutíferas para a sociedade?







[1] Historiador
A BIOMETRIA INTRODUZIDA
                                                             Luciano Silva de Menezes [1]
É impressionante a rapidez e a eficiência desse sistema. Numa conjuntura pública onde nada funciona, a biometria consegue chegar a cidades mais remotas, locais onde o Poder Público geralmente “vira às costas.” Desse modo, sempre alguns panegiristas do voto afirmam que não se pode abnegar o “direito” de votar. Esse é o discurso propagado.
Na realidade o direito de votar tá mais configurado como o direito ao nada, numa eterna ilusão de que se pode escolher algo num modelo político que já surge pronto e acabado. Desse modo, às coisas caminham a passos lentos, exceto à biometria. Em meio a isso, ainda se percebem as frases do consumo do vazio, num estável direito à parvoíce: “Se você não vota não é um cidadão e não pode cobrar nada”, “Ainda não estamos maduros e preparados para o voto facultativo,” “vote e exerça sua cidadania.”
Quantas frases circunscritas para tentar conduzir o povo ao voto, quando hoje, a “renúncia” e o desprezo estão em ascensão, mesmo diante das ameaças da proibição de participar de concursos, de se matricular em universidades e etc. Muitos preferem pagar a bagatela de poucos reais pela abstinência do votado, do que se prestar ao desprezível ato de perder um domingo em filas intermináveis.





[1] Historiador

terça-feira, 17 de março de 2015


O INFRUTÍFERO ATO DE NOMEAR CIDADÃOS PELO LEGISLATIVO
                                                                            Luciano Silva de Menezes [1]
Ultimamente tem ocorrido uma prática infinita de nomeações de “cidadãos” pelas câmaras de vereadores em diversos municípios do Brasil. O frívolo comportamento do legislativo não parece ser nem um pouco concernente aos interesses do povo.
Montesquieu afirmava que para se aproximar da liberdade deve haver uma separação entre o poder Executivo e o poder Legislativo. Contraditoriamente, tem ocorrido muitos conflitos em torno das pretensões individuais e dos domínios políticos. Tratam-se, a priori, de interesses pessoais, e assim, o poder político do legislativo tem servido de mero instrumento para a realização e a obtenção de interesses pessoais e de novos poderes. Inúmeros privilégios são obtidos por alguns poucos que detêm o poder, através dessas ações inúteis de nomeações, na medida em que caem os “pedaços de pães”, ora da mesa do Executivo, ora da mesa dos parlamentares, que irão nutrir os pequenos “cachorrinhos” do Legislativo. Nessa antinomia, no dia a dia das câmaras, observamos as dificuldades e os entraves para as leis que beneficiam a massa de trabalhadores e os setores não privilegiados.
Nessa contradição absurda, homens apresentam seus próprios interesses sob o disfarce da outorga da cidadania, servindo-se dessa roupagem ideológica e mantendo uma submissão do Legislativo e conservando, consequentemente uma longa distância entre as câmaras e os reais interesses sociais.
Nesse jogo de poder infindável, muitos fatos relevantes e concretos, que deveriam ter uma maior ênfase continuam sendo ignorados e as explicações que sempre dizem buscar soluções, não passam de meras ficções, regidas pelas ilusões jurídicas da lei.








[1] Historiador

O GRANDE PROBLEMA DO “FURTO” DA ÁGUA.
                                                                                          Luciano Silva de Menezes [1]
A poder público reprime e classifica como “furto” os desvios de água na região. Dentro de uma circunstância física demasiadamente árida, o tal “furto” já era mais que previsto, de modo que, numa conjuntura de escassez perene da água se tornaria inevitável.  Então surge a pergunta: quem será o grande escamoteador de água?
A mesma lei que dá novos entraves aos fracos fortalece concomitantemente aos ricos. Seria a lei das desigualdades? É a mesma lei que determina o que é e o que não é furto ou roubo. Ela estaria a serviço de quem? Repousaria sobre a mentira ou verdade?
Rousseau afirma que o primeiro que teve a audácia e cercou uma propriedade e disse que era sua, encontrou gente bastante simples para acreditar. Tal como esse fato, encontramos a privatização da água, e uma massa de gente simples para crer que ela tem dono. Outrora, era vital e bem comum a todos, agora tem dono e custa caro. Antes, pertencente ao povo, agora, ao capital dominante. Tal como a energia elétrica, num raio de aproximadamente 400 km, de Sobradinho a Xingó, encontra-se quatro hidrelétricas. Contudo, não seria o bastante para uma mínima redução nas contas de energia. Do mesmo modo, encontramos a água, que agora se torna um artigo de luxo, para uso de poucos, ou apenas dos seus poucos “donos.”




[1] Historiador.

O ABISMO ENTRE OS DISCURSOS ROMANTIZADOS E AS REALIDADES
                                                                                 Luciano Silva de Menezes [1]
Os discursos romantizados são aqueles distantes das realidades, pouco realistas em suas sofísticas. Trazem afirmações distorcidas ou falsas, muito embora harmônicas, e numa lógica das aparências, aparecem “verdades” a cada esquina - abundantes transbordam. Enquanto, para Demócrito, as verdades estavam nas profundezas, atualmente, elas se dizem visíveis e fáceis. Assim, todo o quadro social aparece quase perfeito; as tragédias e as injustiças tornaram-se eufemismos. Nunca foi tão fácil suavizar as dores alheia; fazendo pouco caso das dores humanas e mantendo muitas vítimas dos discursos românticos e mentirosos sob as rédeas curtas, sendo totalmente impossibilitados de uma verdadeira independência.
O enfoque desses discursos é mesquinho, tentam inculcar ideologias de igualdade numa sociedade onde pairam um abismo entre as classes e, consequentemente as oportunidades não são pra todos. Como se não bastasse, a ilusão e as mentiras da meritocracia, onde só resta, para a grande maioria, o “sublime objetivo” de se contentar com as migalhas. Aliás, para o discurso romântico é objetivo social, nobre e honesto o seu filho trabalhar num lava-jato ou em qualquer subemprego, uma vez que, tentam a todo custo lhe convencer que existe uma igualdade entre o maior acionista da Coca-Cola e os carregadores de caixas dessa empresa, que são, assim com muitos, açoitados e excomungados pelas barreiras sociais que os impedem de ao menos sonhar com algo digno.
Esses discursos sínicos provêm do fariseu moderno, que afirmam demagogicamente: “vai crescer na empresa, vista a camisa”.
De tempos em tempos esses discursos traz a figura de um “salvador da pátria,” de um Aécio, de um “doutor Fulano,” “doutor Sicrano,” e desse modo, essas falsas sublimidades, esses “mitos estadistas” são sugeridas como homens dignos, honestos e trabalhadores. Associados enganosamente ao trabalho, como se o trabalho fosse alguma virtude nas sociedades da tecnocracia orgânica, das aristocracias e das hierarquias plutocráticas.
Esses discursos românticos tentam transformar administrações medíocres e tirânicas em marcos históricos, e ao mesmo tempo, desassociam problemas graves, como a situação do Rio Pajeú, das “ilustres” figuras párias de deputados e prefeitos.
Nesse terreno enganador não se pode refletir, e muito menos falar. O ilustre historiador Paulo César bem sabe disso, assim como o próprio Farol, que recentemente foi alvo de repressões despóticas, mas que continua imarcescível a cada dia.
Enfim, o que intuito é que o povo, gradativamente, faça as derrubadas das histórias românticas e edifique uma História mais próxima das dores e dos sofrimentos do povo, mais realista, que retire as máscaras e as ilusões que estabelecem barreiras intransponíveis para as camadas sociais mais fragilizadas.





[1] Historiador