O CULTO AO HERÓI NÃO SE LIMITA A
LAMPIÃO
Luciano Silva de Menezes [1]
A
tradição imutável ao longo da história mostra a necessidade de uma figura
mítica e “heroica,” e Lampião não o foi o primeiro nem o último mito artificial
fabricado por matreiros com o intuito de embuste social. Desse modo, Serra
Talhada não é a única a cultuar seus “heróis.”
O
“herói” nas sociedades primitivas era representado pelo feiticeiro, que
extirpava todos os males, derrotando forças inimigas através da magia natural.
Na atualidade, a necessidade de liderança ainda se perpetua, observando a
postura de admiração e exaltação do povo aos novos mitos políticos em Serra
Talhada, sobretudo, os parlamentares em geral e chefes do Executivo. Esses “heróis” políticos atuam paralisando o
povo, e esses por sua vez, não oferecem resistência, subjugados antes de pensar,
aguardam um milagre social, pois, a palavra do político é demasiadamente sábia
e confortadora, todos acreditam. A autoridade mística dessas lideranças se
mostra cada vez mais forte e alienante. Como afirmava La Boétie, em seu
“Discurso sobre a servidão voluntária” que a alienação é tão doce como um
refrigerante, enquanto, a liberdade, demasiadamente amarga. Liberdade, essa que
foi suprimida e teve o seu sentido dizimado pelos partidos políticos, que fazem
uso do termo para o seu próprio benefício.
Enfim,
esse costume de cultuar exerce grande poder sobre o povo. A necessidade de criar
chefes políticos e mitos ainda permanece enraizada na mente, o desejo de
servir, o desejo de devoção é o mesmo dos primitivos, enquanto esses “heróis”
conduzem a carruagem social.