O GRANDE PROBLEMA DO “FURTO” DA ÁGUA.
Luciano Silva de Menezes [1]
A
poder público reprime e classifica como “furto” os desvios de água na região.
Dentro de uma circunstância física demasiadamente árida, o tal “furto” já era
mais que previsto, de modo que, numa conjuntura de escassez perene da água se
tornaria inevitável. Então surge a
pergunta: quem será o grande escamoteador de água?
A
mesma lei que dá novos entraves aos fracos fortalece concomitantemente aos
ricos. Seria a lei das desigualdades? É a mesma lei que determina o que é e o
que não é furto ou roubo. Ela estaria a serviço de quem? Repousaria sobre a
mentira ou verdade?
Rousseau
afirma que o primeiro que teve a audácia e cercou uma propriedade e disse que
era sua, encontrou gente bastante simples para acreditar. Tal como esse fato,
encontramos a privatização da água, e uma massa de gente simples para crer que
ela tem dono. Outrora, era vital e bem comum a todos, agora tem dono e custa
caro. Antes, pertencente ao povo, agora, ao capital dominante. Tal como a
energia elétrica, num raio de aproximadamente 400 km, de Sobradinho a Xingó,
encontra-se quatro hidrelétricas. Contudo, não seria o bastante para uma mínima
redução nas contas de energia. Do mesmo modo, encontramos a água, que agora se
torna um artigo de luxo, para uso de poucos, ou apenas dos seus poucos “donos.”
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