O ABISMO ENTRE OS DISCURSOS
ROMANTIZADOS E AS REALIDADES
Luciano Silva de Menezes [1]
Os
discursos romantizados são aqueles distantes das realidades, pouco realistas em
suas sofísticas. Trazem afirmações distorcidas ou falsas, muito embora
harmônicas, e numa lógica das aparências, aparecem “verdades” a cada esquina -
abundantes transbordam. Enquanto, para Demócrito, as verdades estavam nas
profundezas, atualmente, elas se dizem visíveis e fáceis. Assim, todo o quadro
social aparece quase perfeito; as tragédias e as injustiças tornaram-se
eufemismos. Nunca foi tão fácil suavizar as dores alheia; fazendo pouco caso
das dores humanas e mantendo muitas vítimas dos discursos românticos e
mentirosos sob as rédeas curtas, sendo totalmente impossibilitados de uma
verdadeira independência.
O
enfoque desses discursos é mesquinho, tentam inculcar ideologias de igualdade
numa sociedade onde pairam um abismo entre as classes e, consequentemente as
oportunidades não são pra todos. Como se não bastasse, a ilusão e as mentiras
da meritocracia, onde só resta, para a grande maioria, o “sublime objetivo” de
se contentar com as migalhas. Aliás, para o discurso romântico é objetivo
social, nobre e honesto o seu filho trabalhar num lava-jato ou em qualquer
subemprego, uma vez que, tentam a todo custo lhe convencer que existe uma
igualdade entre o maior acionista da Coca-Cola e os carregadores de caixas
dessa empresa, que são, assim com muitos, açoitados e excomungados pelas
barreiras sociais que os impedem de ao menos sonhar com algo digno.
Esses
discursos sínicos provêm do fariseu moderno, que afirmam demagogicamente: “vai
crescer na empresa, vista a camisa”.
De
tempos em tempos esses discursos traz a figura de um “salvador da pátria,” de
um Aécio, de um “doutor Fulano,” “doutor Sicrano,” e desse modo, essas falsas
sublimidades, esses “mitos estadistas” são sugeridas como homens dignos,
honestos e trabalhadores. Associados enganosamente ao trabalho, como se o
trabalho fosse alguma virtude nas sociedades da tecnocracia orgânica, das
aristocracias e das hierarquias plutocráticas.
Esses
discursos românticos tentam transformar administrações medíocres e tirânicas em
marcos históricos, e ao mesmo tempo, desassociam problemas graves, como a
situação do Rio Pajeú, das “ilustres” figuras párias de deputados e prefeitos.
Nesse
terreno enganador não se pode refletir, e muito menos falar. O ilustre
historiador Paulo César bem sabe disso, assim como o próprio Farol, que recentemente
foi alvo de repressões despóticas, mas que continua imarcescível a cada dia.
Enfim,
o que intuito é que o povo, gradativamente, faça as derrubadas das histórias
românticas e edifique uma História mais próxima das dores e dos sofrimentos do
povo, mais realista, que retire as máscaras e as ilusões que estabelecem
barreiras intransponíveis para as camadas sociais mais fragilizadas.
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