terça-feira, 17 de março de 2015


O INFRUTÍFERO ATO DE NOMEAR CIDADÃOS PELO LEGISLATIVO
                                                                            Luciano Silva de Menezes [1]
Ultimamente tem ocorrido uma prática infinita de nomeações de “cidadãos” pelas câmaras de vereadores em diversos municípios do Brasil. O frívolo comportamento do legislativo não parece ser nem um pouco concernente aos interesses do povo.
Montesquieu afirmava que para se aproximar da liberdade deve haver uma separação entre o poder Executivo e o poder Legislativo. Contraditoriamente, tem ocorrido muitos conflitos em torno das pretensões individuais e dos domínios políticos. Tratam-se, a priori, de interesses pessoais, e assim, o poder político do legislativo tem servido de mero instrumento para a realização e a obtenção de interesses pessoais e de novos poderes. Inúmeros privilégios são obtidos por alguns poucos que detêm o poder, através dessas ações inúteis de nomeações, na medida em que caem os “pedaços de pães”, ora da mesa do Executivo, ora da mesa dos parlamentares, que irão nutrir os pequenos “cachorrinhos” do Legislativo. Nessa antinomia, no dia a dia das câmaras, observamos as dificuldades e os entraves para as leis que beneficiam a massa de trabalhadores e os setores não privilegiados.
Nessa contradição absurda, homens apresentam seus próprios interesses sob o disfarce da outorga da cidadania, servindo-se dessa roupagem ideológica e mantendo uma submissão do Legislativo e conservando, consequentemente uma longa distância entre as câmaras e os reais interesses sociais.
Nesse jogo de poder infindável, muitos fatos relevantes e concretos, que deveriam ter uma maior ênfase continuam sendo ignorados e as explicações que sempre dizem buscar soluções, não passam de meras ficções, regidas pelas ilusões jurídicas da lei.








[1] Historiador

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