A BIOMETRIA INTRODUZIDA
Luciano Silva de Menezes [1]
É
impressionante a rapidez e a eficiência desse sistema. Numa conjuntura pública
onde nada funciona, a biometria consegue chegar a cidades mais remotas, locais
onde o Poder Público geralmente “vira às costas.” Desse modo, sempre alguns
panegiristas do voto afirmam que não se pode abnegar o “direito” de votar. Esse
é o discurso propagado.
Na
realidade o direito de votar tá mais configurado como o direito ao nada, numa
eterna ilusão de que se pode escolher algo num modelo político que já surge
pronto e acabado. Desse modo, às coisas caminham a passos lentos, exceto à
biometria. Em meio a isso, ainda se percebem as frases do consumo do vazio, num
estável direito à parvoíce: “Se você não vota não é um cidadão e não pode
cobrar nada”, “Ainda não estamos maduros e preparados para o voto facultativo,”
“vote e exerça sua cidadania.”
Quantas
frases circunscritas para tentar conduzir o povo ao voto, quando hoje, a “renúncia”
e o desprezo estão em ascensão, mesmo diante das ameaças da proibição de
participar de concursos, de se matricular em universidades e etc. Muitos
preferem pagar a bagatela de poucos reais pela abstinência do votado, do que se
prestar ao desprezível ato de perder um domingo em filas intermináveis.
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