O
QUE É HISTÓRIA CULTURAL? – PETER BURKER
Para Peter Burke, os
medievalistas Le Goff e Jean-Claude Schmitt deram importantes subsídios para a
História Cultural popular. Nas décadas de 1980 e 1990 ficaram visíveis os
interesses pelos estudos culturais. Esse aumento do interesse pela cultura
popular teria tornado a Antropologia ainda mais relevante para os historiadores.
O autor sublinha a ascensão do novo gênero – “a micro-história”, na década de
970, que diz respeito ao grupo de historiadores italianos: Edoardo Grendi,
Giovanni Levi e Carlo Ginzburg.
Burke afirma que “micro-história”
foi incialmente a reação contra o estilo de História Social que seguia o modelo
de História Econômica que empregava métodos quantitativos e descritivos, e não
davam importância à variedade de culturas locais. As obras “Montaillou” de
Emmanuel Le Roy Ladurie, de 1975 e “O queijo e os Vermes”, de 1976 obtiveram
êxitos e sucesso. “Montaillou” foi à contribuição à História Cultural com
cultura material e mentalidades. “O Queijo e os Vermes” foi baseado em
registros da inquisição em Friuli, no século XVI. Interroga-se o moleiro
Domênico Scandella – Menocchio.
Burke destaca a figura
de Michel de Certeau. As semelhanças entre as suas ideias e as de Foucault e as
de seus contemporâneos, sobretudo, Bourdieu, com quem dialogou. Certeau
inverteu Foucault e substituiu o seu conceito de disciplina pelo o de
“antidisciplina”. A ideia de “prática”
de de Certeau, tem muito em comum com a de Bourdieu, porém, ele criticou a
noção de “habitus” que envolveria a ideia de que as pessoas comuns não têm
consciência do que fazem.
Para Burke, se de
Certeau e Foucault estão corretos acerca da importância da construção cultural,
então toda história é História Cultural. Uma sugestão é que os historiadores
precisam explorar os limites da plasticidade cultural. Segundo Burke, a
História Cultural sugere uma ênfase em mentalidades e sentimentos e não em
ideias e sistemas de pensamento. E, assim, ressalta que os problemas diferentes
exigem métodos diferentes, ou seja, o exame do tema por meio de um único método
acaba empobrecendo a História Cultural.
Luciano Menezes

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