terça-feira, 26 de março de 2019



O QUE É HISTÓRIA CULTURAL? – PETER BURKER
Para Peter Burke, os medievalistas Le Goff e Jean-Claude Schmitt deram importantes subsídios para a História Cultural popular. Nas décadas de 1980 e 1990 ficaram visíveis os interesses pelos estudos culturais. Esse aumento do interesse pela cultura popular teria tornado a Antropologia ainda mais relevante para os historiadores. O autor sublinha a ascensão do novo gênero – “a micro-história”, na década de 970, que diz respeito ao grupo de historiadores italianos: Edoardo Grendi, Giovanni Levi e Carlo Ginzburg.
Burke afirma que “micro-história” foi incialmente a reação contra o estilo de História Social que seguia o modelo de História Econômica que empregava métodos quantitativos e descritivos, e não davam importância à variedade de culturas locais. As obras “Montaillou” de Emmanuel Le Roy Ladurie, de 1975 e “O queijo e os Vermes”, de 1976 obtiveram êxitos e sucesso. “Montaillou” foi à contribuição à História Cultural com cultura material e mentalidades. “O Queijo e os Vermes” foi baseado em registros da inquisição em Friuli, no século XVI. Interroga-se o moleiro Domênico Scandella – Menocchio.
Burke destaca a figura de Michel de Certeau. As semelhanças entre as suas ideias e as de Foucault e as de seus contemporâneos, sobretudo, Bourdieu, com quem dialogou. Certeau inverteu Foucault e substituiu o seu conceito de disciplina pelo o de “antidisciplina”.  A ideia de “prática” de de Certeau, tem muito em comum com a de Bourdieu, porém, ele criticou a noção de “habitus” que envolveria a ideia de que as pessoas comuns não têm consciência do que fazem.
Para Burke, se de Certeau e Foucault estão corretos acerca da importância da construção cultural, então toda história é História Cultural. Uma sugestão é que os historiadores precisam explorar os limites da plasticidade cultural. Segundo Burke, a História Cultural sugere uma ênfase em mentalidades e sentimentos e não em ideias e sistemas de pensamento. E, assim, ressalta que os problemas diferentes exigem métodos diferentes, ou seja, o exame do tema por meio de um único método acaba empobrecendo a História Cultural.                                     

Luciano Menezes




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