Stirner afirma que é
preciso tomar a posse de si mesmo. Essa valorização da liberdade individual
está também na obra “O único e sua propriedade”. Stirner entende que a única
propriedade é o próprio sujeito. Stirner afirma que a escola não pode ser o túmulo
da personalidade original. É o que ela tem sido em demasia.
O filósofo Von Hartmann
vê em Nietzsche um plagiário de Stirner, enquanto Albert Lévy nega a influência
de Stirner. Para Charles Andler, Nietzsche leu Stirner e o estima. Ambos seriam
individualistas e não se pode confundir o “Super-homem” e o “Único”, embora
possamos estabelecer um paralelo entre os dois autores.
Stirner é considerado,
por alguns, um metafísico anarquista, por chegar a determinadas conclusões
ontológicas e políticas. Ele reforça os valores da autoeducação e critica a
filosofia hegeliana com a hegemonia e respeito pelo espírito que, para Stirner,
perpetua a alienação religiosa. Descarta, também, o culto de Hegel ao Estado. Para
Stirner, só é eterno o espírito que tem consciência em si, enquanto, para
Hegel, o espírito é consciente apenas na medida em que tem consciência de si.
A obra também discorre
sobre o Dandismo, o humanismo do século XVI, as concepções de Heine, a escola
Saint-simoniana e as teorias de Saint-Simon que se opõem ao idealismo da
filosofia alemã. Stirner enxerga o homem não como um consumidor, mas sim, como um
produtor. Industrial, industrialismo representam para Stirner os termos
antitéticos do Dandismo e do Dândi.
Jean Barrué diz que a
educação concebida por Stirner está afastada dessa imagem estereotipada do
mestre escola prussiano, propagada por gerações germanófabos. Questiona-se a
educação alemã e o autoritarismo repressivo das escolas inglesas que sufocam a
personalidade humana. Resultando num povo ignorante em relação aos senhores
instruído. A cultura escolar especializada negligencia as culturas gerais.
Assim, a preparação para a vida prática só forma espíritos respeitosos das leis
e não espíritos livres.
Um sujeito que se
conforma como membro útil da sociedade não experimenta a sua própria
personalidade. Devemos, portanto, ser o próprio Eu e sair dos estábulos de
submissões do Humanismo e do Realismo e da vida escolar que só engendra
filisteus.
Luciano Menezes
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