DO
PRINCÍPIO DA AUTORIDADE – P.-J. PROUDHON
Para Proudhon, a
autoridade está para o governo como o pensamento está para a palavra. Evidencia
que a ideia governamental nasceu dos costumes da família e das experiências
domésticas. Nessa concepção, o governo parecia tão natural à sociedade quanto à
subordinação entre pais e filhos. Com efeito, o povo não tem voz constitutiva
na Igreja e no Estado. Seu papel é crer e obedecer. Sublinha o parasitismo da
minoria e as leis como teias de aranhas para os poderosos e cadeias de aço para
os pobres.
Nota-se, portanto, o
destaque dado à fé, a devoção e a subordinação ao poder. E o governo ao lado
dos mais ricos e privilegiados. Assim, a história dos governos é um martírio do
proletariado. Proudhon enfatiza a mentalidade ingênua que diz que os inimigos
governantes são nossos empregados. E alerta: sublata causa, tollitur effectus –
suprimida a causa, suprime-se o efeito!
Proudhon ressalata a
massa de cegos voluntários e critica o trio Leibniz, Kant e Hegel e seus
espíritos essencialmente governamentais, assim como Lutero. Destaca também a
sua concepção de “Contrato Social” que difere do “Contrato Social” de Rousseau.
Para Rousseau, o “Contrato Social” é a aliança ofensiva e defensiva daqueles
que possuem contra aqueles que não possuem.
Proudhon classifica
Rousseu como o charlatão – o sacerdote genebrês por apresentar como necessária
a subalternização dos trabalhadores pela ditadura e pela inquisição a partir do
título decepcionante de “Contrato Social” – código da tirania capitalista e
mercantil. Então, o programa de Rousseau e o seu Tratado de Educação são
demagogos e mentirosos. Em resumo, Proudhon refuta toda autoridade presuntiva e
toda solução indireta.
Luciano Menezes
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