quinta-feira, 21 de março de 2019



DO PRINCÍPIO DA AUTORIDADE – P.-J. PROUDHON
Para Proudhon, a autoridade está para o governo como o pensamento está para a palavra. Evidencia que a ideia governamental nasceu dos costumes da família e das experiências domésticas. Nessa concepção, o governo parecia tão natural à sociedade quanto à subordinação entre pais e filhos. Com efeito, o povo não tem voz constitutiva na Igreja e no Estado. Seu papel é crer e obedecer. Sublinha o parasitismo da minoria e as leis como teias de aranhas para os poderosos e cadeias de aço para os pobres.
Nota-se, portanto, o destaque dado à fé, a devoção e a subordinação ao poder. E o governo ao lado dos mais ricos e privilegiados. Assim, a história dos governos é um martírio do proletariado. Proudhon enfatiza a mentalidade ingênua que diz que os inimigos governantes são nossos empregados. E alerta: sublata causa, tollitur effectus – suprimida a causa, suprime-se o efeito!
Proudhon ressalata a massa de cegos voluntários e critica o trio Leibniz, Kant e Hegel e seus espíritos essencialmente governamentais, assim como Lutero. Destaca também a sua concepção de “Contrato Social” que difere do “Contrato Social” de Rousseau. Para Rousseau, o “Contrato Social” é a aliança ofensiva e defensiva daqueles que possuem contra aqueles que não possuem.
Proudhon classifica Rousseu como o charlatão – o sacerdote genebrês por apresentar como necessária a subalternização dos trabalhadores pela ditadura e pela inquisição a partir do título decepcionante de “Contrato Social” – código da tirania capitalista e mercantil. Então, o programa de Rousseau e o seu Tratado de Educação são demagogos e mentirosos. Em resumo, Proudhon refuta toda autoridade presuntiva e toda solução indireta.
Luciano Menezes

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