quinta-feira, 21 de março de 2019



AS ORIGENS DO PENSAMENTO GREGO – Jean-Pierre Vernant
Vernant descreve aspectos do pensamento mítico e algumas cosmologias tardias. Explica a ambiguidade dos termos “Phyen” e “Génesis” – engendrar e produzir, nascimento e origem. O autor destaca as soberanias, as ordenações do espaço, a arquitetura do Mito Cosmogônico, as regulações dos ciclos das estações. Salienta também alguns ritos e mitos da cosmologia babilônica.
Afirma que a astronomia grega se inspira na ciência babilônica – cosmologia. Os Jônios teriam situado a ordem do cosmos, as posições, as dimensões, as distâncias e os movimentos dos astros, com esquemas geométricos. Num pínax, desenharam a terra inteira e o mundo habitado com seus mares e rios, constituindo modelos mecânicos do universo parecidos com o modelo de Anaximandro.
A geometria do universo físico transforma a perspectiva cosmológica e consagra uma nova forma de pensamento que explicará e analisará os Mitos. O autor mostra as correspondências entre o pensamento geométrico e o pensamento político e os vínculos entre o cosmo natural e o cosmo social.
Segundo Vernant, as Teogonias e as Cosmogonias gregas, como as cosmologias que lhes sucederam, comportam relatos de gêneses que expõem emergências progressivas de um mundo ordenado. O autor abrilhanta as narrativas hesiódicas, em especial, o Hino a Glória de Zeus. Comenta o poema babilônico da criação, o Emuna Elis, cantado anualmente, no quarto dia festivo do mês de Nisan, na Babilônia.
Em alguns casos, a função do Mito é a de estabelecer uma distinção entre o ponto de vista temporal e o princípio de poder. Ou seja, entre o princípio cronológico na origem do mundo e o princípio que preside à sua ordenação atual.
Luciano Menezes

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