AS
ORIGENS DO PENSAMENTO GREGO – Jean-Pierre Vernant
Vernant descreve
aspectos do pensamento mítico e algumas cosmologias tardias. Explica a
ambiguidade dos termos “Phyen” e “Génesis” – engendrar e produzir, nascimento e
origem. O autor destaca as soberanias, as ordenações do espaço, a arquitetura
do Mito Cosmogônico, as regulações dos ciclos das estações. Salienta também
alguns ritos e mitos da cosmologia babilônica.
Afirma que a astronomia
grega se inspira na ciência babilônica – cosmologia. Os Jônios teriam situado a
ordem do cosmos, as posições, as dimensões, as distâncias e os movimentos dos
astros, com esquemas geométricos. Num pínax, desenharam a terra inteira e o
mundo habitado com seus mares e rios, constituindo modelos mecânicos do
universo parecidos com o modelo de Anaximandro.
A geometria do universo
físico transforma a perspectiva cosmológica e consagra uma nova forma de
pensamento que explicará e analisará os Mitos. O autor mostra as correspondências
entre o pensamento geométrico e o pensamento político e os vínculos entre o
cosmo natural e o cosmo social.
Segundo Vernant, as
Teogonias e as Cosmogonias gregas, como as cosmologias que lhes sucederam,
comportam relatos de gêneses que expõem emergências progressivas de um mundo
ordenado. O autor abrilhanta as narrativas hesiódicas, em especial, o Hino a
Glória de Zeus. Comenta o poema babilônico da criação, o Emuna Elis, cantado
anualmente, no quarto dia festivo do mês de Nisan, na Babilônia.
Em alguns casos, a
função do Mito é a de estabelecer uma distinção entre o ponto de vista temporal
e o princípio de poder. Ou seja, entre o princípio cronológico na origem do
mundo e o princípio que preside à sua ordenação atual.
Luciano
Menezes
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