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CULTURA NO PLURAL – Michel de Certeau
Certeau entende que a
cultura no singular impõe sempre uma norma – “lei de poder”. Ocorre uma força expandida que unifica,
colonizando e negando, concomitantemente, seu limite. A cultura no plural exige
uma luta incessante. Existe uma relação de cada produção cultural com a morte
que a limita e com a luta que a defende.
Para Certeau, as análises
associadas às culturas ladeiam uma imensidão silenciosa, caminham sobre as praias
do inacessível e descobrem sua relação com uma morte. Outro aspecto importante
é o “o paradoxal dos meios de comunicação de massa”, que produz uma divisão
entre aquilo que se diz, mas não é real, e aquilo que é vivenciado, mas não
pode ser dito. A linguagem torna-se uma ficção com relação à realidade
cotidiana que deixa de ter uma linguagem.
As enfermidades e as
tensões são manifestadas no campo indefinido das culturas. É um campo de luta
multiforme entre o flexível e rígido. Segundo Certeau, os produtos culturais
servem as classes daqueles que criam e são pagos pela massa dos que
praticamente deles não usufruem. Na França, os trustes poderosos definem
qualquer “bem cultural” que seja vendável; colocam exigências em seus produtos
que não são mais a do público em geral.
Assim, o homem é falado
pela linguagem de determinismos socioeconômicos muito antes que ele fale.
Afirma que os países colonizadores foram sempre verdadeiros negadores de
culturas. O sistema elimina e rouba as tradições. Estabelece, portanto, um
sistema cultural imposto do alto que marginaliza e elimina os sujeitos.
Luciano
Menezes
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