terça-feira, 19 de março de 2019



A CULTURA NO PLURAL – Michel de Certeau

Certeau entende que a cultura no singular impõe sempre uma norma – “lei de poder”.  Ocorre uma força expandida que unifica, colonizando e negando, concomitantemente, seu limite. A cultura no plural exige uma luta incessante. Existe uma relação de cada produção cultural com a morte que a limita e com a luta que a defende.
Para Certeau, as análises associadas às culturas ladeiam uma imensidão silenciosa, caminham sobre as praias do inacessível e descobrem sua relação com uma morte. Outro aspecto importante é o “o paradoxal dos meios de comunicação de massa”, que produz uma divisão entre aquilo que se diz, mas não é real, e aquilo que é vivenciado, mas não pode ser dito. A linguagem torna-se uma ficção com relação à realidade cotidiana que deixa de ter uma linguagem.
As enfermidades e as tensões são manifestadas no campo indefinido das culturas. É um campo de luta multiforme entre o flexível e rígido. Segundo Certeau, os produtos culturais servem as classes daqueles que criam e são pagos pela massa dos que praticamente deles não usufruem. Na França, os trustes poderosos definem qualquer “bem cultural” que seja vendável; colocam exigências em seus produtos que não são mais a do público em geral.
Assim, o homem é falado pela linguagem de determinismos socioeconômicos muito antes que ele fale. Afirma que os países colonizadores foram sempre verdadeiros negadores de culturas. O sistema elimina e rouba as tradições. Estabelece, portanto, um sistema cultural imposto do alto que marginaliza e elimina os sujeitos.
    Luciano Menezes




Nenhum comentário:

Postar um comentário