sábado, 2 de fevereiro de 2019


TRATADO DA REFORMA DO ENTENDIMENTO
Baruch Spinoza
“Tratado da Reforma do Entendimento” é uma tradução do Tractatus de Intellectus Emendatione, feita por C. Mioranza. Obra lançada pela editora Escala. Nessa obra, Spinoza analisa a mente e a decepcionante condição humana, permeada por dúvidas, falsidades, ficções adquiridas no curso de suas percepções. O filósofo, que passou a ser considerado um maldito pela comunidade judaica, foi, também, proibido de comercializar. Em 1678, as obras de Spinoza foram queimadas e por, praticamente, um século a sua obra ficou escondida, vindo à tona somente durante o Iluminismo. Schelling, Goeth, Hegel, Lessing irão dar a devida relevância a Spinoza.
Para Spinoza, a riqueza, a honra e o prazer são as três coisas que distraem o espírito, e devido a elas, os homens mal podem pensar em outro bem. O filósofo acredita que a certeza nada mais é do que a própria essência objetiva – o modo pelo qual sentimos a essência formal é a própria certeza. Assim, a verdadeira ideia, distingue das percepções. E é investigando a natureza das coisas que conhecemos o poder de compreender. Spinoza afirma que “de fato, para saber que sei, é necessário primeiramente que eu saiba, mas não é necessário para que saiba, saber que sei”.
Outro aspecto importante é a distinção entre o “sono” e a “vigília”.  Antes de constatar que o sonho é falso, acredita-se estar acordado, embora se esteja dormindo. Caímos nas percepções fictícias, falsas e duvidosas. Se você jamais refletiu sobre a ilusão dos sentidos, nunca duvidará se o Sol é menor ou maior do que aparenta. Então, o camponês se espanta, às vezes, em ouvir dizer que o Sol é muito maior do que a Terra. Os sentidos nos enganam. Nesse caso, a dúvida surge quando pensamos na ilusão dos sentidos. A dúvida surge, segundo ele, porque as coisas são investigadas sem ordem.
Spinoza sugere fazermos uma distinção entre a imaginação e a intelecção, para não julgarmos, equivocadamente, aquilo que mais facilmente imaginamos entender. Desse modo, antepomos o que deve ser posposto, subvertendo a ordem da progressão. Spinoza adverte que devemos ter cuidado para não misturar aquilo que existe somente no entendimento com aquilo que existe na coisa. Então, o objetivo é ter ideias claras e distintas, com aquelas provenientes da mente pura e não dos movimentos fortuitos do corpo.
Luciano Menezes




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