terça-feira, 2 de outubro de 2018

A CAPOEIRA OBSERVADA DE DIVERSAS FORMAS



A CAPOEIRA OBSERVADA DE DIVERSAS FORMAS
                                                                                 Luciano Silva de Menezes

Muitas vezes a prática da Capoeira tem ocorrido como atividade habitual e cotidiana nas ruas e nas praças de várias cidades brasileiras. As exposições dessa prática cultural, nos distintos olhares e concepções, possibilita notar múltiplas afirmações idiossincráticas sobre essa expressiva manifestação cultural. Podemos ter uma ideia de como partes da sociedade absorvem a Capoeira, a partir de algumas conversas com o professor Vanilson Leite da Silva, mais conhecido como Nego da capoeira.
Nego possui uma longa trajetória como professor de Capoeira em Serra Talhada. Todo esse percurso de treinamentos e ensino lhe possibilitou enxergar muitas dificuldades inerentes à Capoeira. Nesses seus contextos de atuações, ele ressaltou que ainda existem olhares que não conseguem identificar claramente esses implementos de representações culturais. Nas sociedades, essas limitações perceptivas e interpretativas, geralmente mascaram, desvalorizam, diminuiem, suprimem e degradam representações socioculturais e históricas que são essenciais para o entendimento de nossa própria história. 
Com isso, percebemos que ainda estamos ignorando e desqualificando representações culturais, na medida em que enxergamos ou afirmamos esses grupos envolvidos na Capoeira como subcategorias de “desocupados” ou “vagabundos”. Essas visões depreciativas foram disseminadas a partir dum passado relativamente próximo, no qual a prática da Capoeira passou a ser considerada como um crime.
Hoje, muitas vezes, a Capoeira é assimilada, por alguns, como um saber “menor”, como uma arte inferiorizada. Todavia, em algumas poucas ocasiões, ela parece recebendo incentivos governamentais nas afirmativas de ações políticas, e também se reafirma em conquistas gradativas e pontuais dos movimentos negros.
Sobre tais discussões, eu acredito que é importante tentar entender as culturas, em suas pluralidades e peculiaridades, e não a partir de nossas emoções e paixões circunscritas, que geralmente pré julgam de formas emotivas e excludentes.  É importante lembrar que a violência interpretativa possibilita reinvenções e supressões das culturas e das artes.

Fig. 01. Nego, durante suas aulas de Capoeira na Praça do Alto do Bom Jesus. (MENEZES, 2013).


Texto escrito em 29 de outubro de 2013, a partir de uma longa conversa com o professor Vanilson Leite da Silva – Nego Capoeira.  

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