RELEVÂNCIA DAS PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES NA EDUCAÇÃO
Luciano Silva de Menezes
Diante
dos conceitos polissêmicos da interdisciplinaridade e das conjunturas
educacionais, quase sempre fragilizadas, pensar a interdisciplinaridade nos
parece relevante e talvez imprescindível. A interdisciplinaridade é
proposta por Piaget (1896 – 1980), e também é sugerida por teóricos mais
recentes, como Ivani Fazenda e Juarez Thiesen.
A
própria indefinição conceitual da interdisciplinaridade ocorre, muitas vezes, pela
necessidade de antagonizar algumas concepções disciplinares. Ressaltamos que a
disciplinaridade tem, por essência, formas linearidades e fragmentações do
conhecimento, além disso, no tocante a historiografia, um mecanicismo técnico,
que foi também o cerne do positivismo comtiano. Acrescentamos, ainda, o
metodismo rankeano, especificamente no campo da História e o cartesianismo, nas
ciências sociais.
A
interdisciplinaridade, por outro lado, busca uma ruptura paradigmática dessa
maneira de pensar do cientificismo moderno. Ivani Fazenda não apresenta a
interdisciplinaridade como “um fim”, pois, ao vivenciarmos, devemos repensar
novas perspectivas e práticas para solucionar problemas socioeducacionais,
através de análises e releituras contínuas dos cotidianos e das realidades. Nesse
caso, buscaríamos a superação da simples junção das disciplinas, com contextualizações
que nos aproximam das realidades. Ivani Fazenda afirma que não se trata de
negar ou “velho” para absorver o “novo”, mas sim, a partir do “velho” se
construir o “novo”, buscando realizar contínuas hermenêuticas das histórias de
vida.
No
cotidiano, a percepção de problemas educacionais latentes, só é possível, a priori, com uma densa “leitura” nas
entrelinhas. Por exemplo: no tocante a inclusão escolar, sobretudo de crianças
e adolescentes que apresentam deficiências físicas e motoras, transtornos
mentais, dentre outros, lidamos com a concepção dualista do “normal” e do
“anormal”, que ultrapassam as estruturas do ensino e permeiam em tantas esferas
sociais.
Sublinhamos
que estamos diante de esferas educacionais, herdeiras da educação Ratio Studiorum, de fomento colonizador,
com base dualista entre o saber idiomático lusitano e os conceitos religiosos.
Outrora, educava-se, rigidamente e hierarquicamente, para a construção do homem
religioso cristão, branco, etnocêntrico-eurocêntrico. Essa hierarquização, como
reminiscência e reificação da teogonia dos deuses, configurava, assim, uma
cosmologia aristotélica, que para Bourdieu, embeveciam não somente o campo
político, mas também, o campo educacional.
Desse
modo, a tolerância como o “outro”, perde espaços e é suprimida pelos
etnocentrismos, pelas xenofobias, pelos preconceitos educacionais, sociais,
democráticos, dentre tantos. Assim, surgem, também, intensas e violentas
segregações que ainda enfrentamos na educação moderna, tanto nos sistemas “formais”
como nos “informais”. Em resumo, notamos que a inclusão dos indivíduos
diferentes, em certos espaços sociais, continua sendo uma tarefa delicada e uma
barreira difícil de ser ultrapassada, entretanto, muitos enfoques
epistemológicos e cognitivos da interdisciplinaridade têm os desafios
incessantes de atenuar e/ou dirimir esses percalços.
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