terça-feira, 2 de outubro de 2018



RELEVÂNCIA DAS PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES NA EDUCAÇÃO

                                                                                    Luciano Silva de Menezes

            Diante dos conceitos polissêmicos da interdisciplinaridade e das conjunturas educacionais, quase sempre fragilizadas, pensar a interdisciplinaridade nos parece relevante e talvez imprescindível. A interdisciplinaridade é proposta por Piaget (1896 – 1980), e também é sugerida por teóricos mais recentes, como Ivani Fazenda e Juarez Thiesen. 
            A própria indefinição conceitual da interdisciplinaridade ocorre, muitas vezes, pela necessidade de antagonizar algumas concepções disciplinares. Ressaltamos que a disciplinaridade tem, por essência, formas linearidades e fragmentações do conhecimento, além disso, no tocante a historiografia, um mecanicismo técnico, que foi também o cerne do positivismo comtiano. Acrescentamos, ainda, o metodismo rankeano, especificamente no campo da História e o cartesianismo, nas ciências sociais.
            A interdisciplinaridade, por outro lado, busca uma ruptura paradigmática dessa maneira de pensar do cientificismo moderno. Ivani Fazenda não apresenta a interdisciplinaridade como “um fim”, pois, ao vivenciarmos, devemos repensar novas perspectivas e práticas para solucionar problemas socioeducacionais, através de análises e releituras contínuas dos cotidianos e das realidades. Nesse caso, buscaríamos a superação da simples junção das disciplinas, com contextualizações que nos aproximam das realidades. Ivani Fazenda afirma que não se trata de negar ou “velho” para absorver o “novo”, mas sim, a partir do “velho” se construir o “novo”, buscando realizar contínuas hermenêuticas das histórias de vida.
            No cotidiano, a percepção de problemas educacionais latentes, só é possível, a priori, com uma densa “leitura” nas entrelinhas. Por exemplo: no tocante a inclusão escolar, sobretudo de crianças e adolescentes que apresentam deficiências físicas e motoras, transtornos mentais, dentre outros, lidamos com a concepção dualista do “normal” e do “anormal”, que ultrapassam as estruturas do ensino e permeiam em tantas esferas sociais.
            Sublinhamos que estamos diante de esferas educacionais, herdeiras da educação Ratio Studiorum, de fomento colonizador, com base dualista entre o saber idiomático lusitano e os conceitos religiosos. Outrora, educava-se, rigidamente e hierarquicamente, para a construção do homem religioso cristão, branco, etnocêntrico-eurocêntrico. Essa hierarquização, como reminiscência e reificação da teogonia dos deuses, configurava, assim, uma cosmologia aristotélica, que para Bourdieu, embeveciam não somente o campo político, mas também, o campo educacional.
            Desse modo, a tolerância como o “outro”, perde espaços e é suprimida pelos etnocentrismos, pelas xenofobias, pelos preconceitos educacionais, sociais, democráticos, dentre tantos. Assim, surgem, também, intensas e violentas segregações que ainda enfrentamos na educação moderna, tanto nos sistemas “formais” como nos “informais”. Em resumo, notamos que a inclusão dos indivíduos diferentes, em certos espaços sociais, continua sendo uma tarefa delicada e uma barreira difícil de ser ultrapassada, entretanto, muitos enfoques epistemológicos e cognitivos da interdisciplinaridade têm os desafios incessantes de atenuar e/ou dirimir esses percalços.  

             






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