The Great Cat Massacre – “O Grande Massacre de Gatos e outros episódios da história cultural francesa” de Robert Darnton, e tradução de Sônia Coutinho, lançado em 2011.
Robert Darnton se
debruça sobre o pensamento de homens simples: trabalhadores comuns, na França
do século XVII. Ele procura penetrar num universo mental, e fazer uma exegese
dos folclores inerentes aos camponeses. Destacando, portanto, suas culturas
como componentes formuladores do modo de pensar. Assim, ele sublinha as transformações
dos contos ao longo do tempo e espaço, nas tradições orais. Desse modo, a
própria história das mentalidades exige métodos específicos, que diferem dos métodos
usados para descrever fatos políticos.
Darnton entende o senso
comum como uma elaboração social da realidade, que sofre variações de acordo
com as culturas. Ele expressa a ordem comum de uma ordem social. A distância
que nos separa do passado deve ser entendida, e ser o ponto de partida para as
investigações. Descobrir e captar um sistema estranho para decifrá-lo.
As abordagens trazem as
longas jornadas de trabalho, o convívio com o patrão, o trabalho transformado
em mercadoria e a impossibilidade de crescimento.
Era preciso se livrar
dos gatos e de suas feitiçarias. O sentido da feitiçaria e do “azar trazido”
pelos gatos; a tortura dos animais, em especial, os gatos, era um divertimento
popular, em toda a Europa, no início da era moderna.
Destaco, especialmente,
o tratamento desrespeitoso que recebiam os escritos, que foram surrados,
inclusive Voltaire. O comportamento dos filósofos era monitorado, porque mexer
com os tabus eram coisa perigosa. Naquela ocasião, figuras como Diderot e D’Alembert
desejavam enraizar o conhecimento na epistemologia, principiando com o ramo do
conhecimento proveniente da memória. Rousseau teria ensinado os leitores
rousseauistas a digerir os livros, e assim, atinge vidas em toda parte. Ele
condenou os teatros, romances e toda literatura moderna.
Saliento a ideia da leitura
e o compreender do mundo. Dar-se, na obra, um destaque para a importância da
leitura nos ritos fúnebres – nos funerais balineses.
Em suma, Darnton
menciona os registros imperfeitos dos contos de fadas como resquícios das
tradições orais do Antigo Regime, e como ricas fontes para adentrarmos no
universo do campo mental dos povos do passado.
Luciano
Menezes
Fotos: Luciano Menezes





