O
CALDEIRÃO DO ALEGRE
No “Caldeirão do
Alegre”, destacamos forças de erosões, em especial, a erosão de riacho. Ou
seja, os processos geológicos que desgastaram as rochas com a força das águas
do riacho em períodos chuvosos. Tais forças foram, parcialmente, modelando-as
e/ou reduzindo-as com o passar do tempo. As “intempéries” foram capazes de
reconstituir novos cenários com auxílio dos sedimentos “alojados” e
depositados, após cessarem as forças das águas do riacho “avivadas” pelas
chuvas.
Entendo que as
deslumbrantes imagens do “Caldeirão do Alegre” podem instigar muitos estudos,
como por exemplo, a respeito da possibilidade de bioerosão – o crescimento de
algumas espécies de plantas que contribuem para a erosão, mediantes, suas
raízes infiltradas nas rochas; e também da erosão física, que torna algumas
pedras mais esquivas e, em alguns casos, bem mais reduzidas. Embora,
enfatizamos que a vegetação e as pedras são partes inseparáveis dessas
paisagens expressivas da história.
As gravuras rupestres
nos propõem muitas outras perguntas que vão além das pedras esculpidas por um
riacho temporário. As águas esvaídas pelo clima seco realçam e revelam melhor
tais tesouros arqueológicos. Isso lembra um pouco à famosa “Pedra da Fome”, na
República Tcheca. Tal pedra revela mensagens ameaçadoras como, por exemplo:
“Quando você me vê, chore!”. Outras perspectivas remetem as tradições nórdicas antigas
de empilhar, propositalmente, grandes e pequenas pedras, como forma de
demarcação de lugares, com intuito de não se perder; ou, mesmo, como formas de
marcar uma espécie de saga sagrada que afirma: “eu estive por aqui”.
É importante lembrar
que o sujeito que observa, hoje, o monumento rupestre, pertence a outro espaço
e tempo históricos. Ele possui, provavelmente, outras ópticas e outra
mentalidade que diferem muito das visões e da mentalidade do passado. Em face
disso, o historiador Francisco José procura fazer observações da natureza
astronômica desse monumento rupestre, observando, especialmente, os efeitos do
equinócio solar no mesmo.
Luciano Menezes
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