domingo, 3 de fevereiro de 2019


O CALDEIRÃO DO ALEGRE

No “Caldeirão do Alegre”, destacamos forças de erosões, em especial, a erosão de riacho. Ou seja, os processos geológicos que desgastaram as rochas com a força das águas do riacho em períodos chuvosos. Tais forças foram, parcialmente, modelando-as e/ou reduzindo-as com o passar do tempo. As “intempéries” foram capazes de reconstituir novos cenários com auxílio dos sedimentos “alojados” e depositados, após cessarem as forças das águas do riacho “avivadas” pelas chuvas.
Entendo que as deslumbrantes imagens do “Caldeirão do Alegre” podem instigar muitos estudos, como por exemplo, a respeito da possibilidade de bioerosão – o crescimento de algumas espécies de plantas que contribuem para a erosão, mediantes, suas raízes infiltradas nas rochas; e também da erosão física, que torna algumas pedras mais esquivas e, em alguns casos, bem mais reduzidas. Embora, enfatizamos que a vegetação e as pedras são partes inseparáveis dessas paisagens expressivas da história.
As gravuras rupestres nos propõem muitas outras perguntas que vão além das pedras esculpidas por um riacho temporário. As águas esvaídas pelo clima seco realçam e revelam melhor tais tesouros arqueológicos. Isso lembra um pouco à famosa “Pedra da Fome”, na República Tcheca. Tal pedra revela mensagens ameaçadoras como, por exemplo: “Quando você me vê, chore!”. Outras perspectivas remetem as tradições nórdicas antigas de empilhar, propositalmente, grandes e pequenas pedras, como forma de demarcação de lugares, com intuito de não se perder; ou, mesmo, como formas de marcar uma espécie de saga sagrada que afirma: “eu estive por aqui”.
É importante lembrar que o sujeito que observa, hoje, o monumento rupestre, pertence a outro espaço e tempo históricos. Ele possui, provavelmente, outras ópticas e outra mentalidade que diferem muito das visões e da mentalidade do passado. Em face disso, o historiador Francisco José procura fazer observações da natureza astronômica desse monumento rupestre, observando, especialmente, os efeitos do equinócio solar no mesmo. 
                                                                 Luciano Menezes




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