A CAPOEIRA OBSERVADA DE DIVERSAS FORMAS
Luciano Silva de Menezes
Muitas vezes a prática da Capoeira tem
ocorrido como atividade habitual e cotidiana nas ruas e nas praças de várias cidades brasileiras. As exposições dessa
prática cultural, nos distintos olhares e concepções, possibilita notar múltiplas
afirmações idiossincráticas sobre essa expressiva manifestação cultural.
Podemos ter uma ideia de como partes da sociedade absorvem a Capoeira, a partir de
algumas conversas com o professor Vanilson Leite da Silva, mais
conhecido como Nego da capoeira.
Nego possui uma longa
trajetória como professor de Capoeira em Serra Talhada. Todo esse percurso de treinamentos e ensino lhe
possibilitou enxergar muitas dificuldades inerentes à Capoeira.
Nesses seus contextos de atuações, ele ressaltou que ainda existem olhares que não conseguem
identificar claramente esses implementos de representações culturais. Nas sociedades, essas limitações perceptivas e interpretativas, geralmente mascaram, desvalorizam, diminuiem, suprimem e degradam representações socioculturais e históricas que são essenciais para o entendimento de nossa própria história.
Com isso, percebemos
que ainda estamos ignorando e desqualificando representações culturais, na medida em que enxergamos ou afirmamos esses grupos envolvidos na Capoeira como subcategorias de “desocupados” ou “vagabundos”. Essas visões depreciativas foram disseminadas a partir dum passado relativamente próximo, no qual a prática da Capoeira passou a
ser considerada como um crime.
Hoje, muitas vezes, a Capoeira
é assimilada, por alguns, como um saber “menor”, como uma arte inferiorizada. Todavia, em algumas poucas ocasiões, ela parece recebendo incentivos governamentais nas afirmativas de ações
políticas, e também se reafirma em conquistas gradativas e pontuais dos movimentos negros.
Sobre tais discussões,
eu acredito que é importante tentar entender as culturas, em suas pluralidades e
peculiaridades, e não a partir de nossas emoções e paixões circunscritas, que geralmente pré julgam de formas emotivas e excludentes.
É importante lembrar que a violência interpretativa possibilita reinvenções e supressões das culturas e das artes.
Texto
escrito em 29 de outubro de 2013, a partir de uma longa conversa com o
professor Vanilson Leite da Silva – Nego Capoeira.