QUAL O RESPEITO DADO AOS IDOSOS?
Luciano Silva de Menezes [1]
O
nosso reino social converteu violentamente tudo em mercadoria descartável,
transformando conhecimento, artes, culturas em objetos efêmeros e modismos. Nessas
sociedades volúveis, os homens são também objetos transitoriamente mercantilizados
em larga escala e a baixos custos; eles se tornaram figuras vendáveis, quase
sempre, caricaturas daquilo que as sociedades disseram que elas são.
Nesse
jogo das despersonalizações, o jovem é parte da engrenagem emudecida da
sociedade que cultua os valores econômicos e estéticos. Logo, a velhice não é
bem vinda nesses espaços sociais de racionalidade produtivista e de “padrão de
beleza.” Melhor dizendo, enquanto a juventude permitir é necessário cumprir a
risca o ad valoren sob o culto da
aparência. Na democracia fantasiosa do “produzir e consumir,” não se pode abrir
mão do rótulo estético construído principalmente nos espaços de adestramentos
físicos denominados academias.
O
envelhecimento do homem é uma questão de tempo e não um simples critério de
espírito. O filósofo Cícero afirmava que os cabelos brancos e as rugas em si,
não são normas e garantias de respeitabilidade. Esse respeito seria uma
recompensa de um passado exemplar, porém, essa reflexão não se harmoniza com o
quadro social vigente, onde o idoso está “fora da vida ativa”, enfraquecido e
próximo da morte, quase sempre, não enxergado pela família e pela sociedade; permanece
separado dos jovens por um fosso enorme que fora estabelecido. Confirmando que,
existir por muito tempo não significa viver muito, sobretudo, para um idoso
violentado, agredido e acuado. Para as lutas
sem glórias no fim da vida, só restou o enunciado de que “ninguém é bastante
velho para não esperar viver mais um ano”.
Na
sociedade onde o “ter” sobrepuja o “ser,” qualquer respeito à subjetividade do
homem sucumbiu junto com a ética, após anos sendo escravizados por um rei conhecido
como valor econômico. Na ilusão da sociedade moderna o sujeito não terá respeito
e autonomia para se afirmar com homem. Nessa quimera das “possibilidades,” as
aparências tomam o carimbo de realidade aceitável, e o envelhecimento se tornou
a degradação daquilo que já não era considerado tão sublime – o homem sendo
refutado em seu próprio espaço.
Enfim,
enquanto alguns imaginem que a riqueza, o prestígio e o poder são ferramentas
possíveis de tornar a velhice mais aceitável, o objetivismo econômico rechaça
essa ideia, ao passo que, o homem será somente um “prestigiado específico”,
porém, seu adjetivo categórico será o “velho”.
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